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Texto III, para responder às questões 27 e 28.
João, setenta anos de idade, viúvo há cerca de dez anos, engenheiro aposentado, mora só, totalmente independente para atividades de vida diária e instrumental, apresenta história de longa data de hipertensão arterial e bloqueio do ramo direito de segundo grau, em uso de hidroclorotiazida e enalapril. Há dois meses, passou a apresentar tontura e teve três episódios de quedas, sendo medicado, naquela ocasião, em um serviço de pronto-atendimento, com flunarizina. Evoluiu com apatia, rigidez, bradicinesia, períodos de confusão mental, alucinações visuais recorrentes e delírios de perseguição. Negava história de doença psiquiátrica prévia ou abuso de drogas. Foi levado ao geriatra por seu filho. Ao exame, encontrava-se consciente, pressão arterial de 150 mmHg × 80 mmHg deitado e 110 mmHg × 60 mmHg em ortostatismo, bradicinesia e rigidez. Sua pontuação no miniexame do estado mental (Folstein, 1975) foi de 26 pontos.
Com relação à situação apresentada no texto, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Gabarito comentado: Alternativa C
Tema central: A questão aborda a etiologia e abordagem das quedas em idosos, demandando o conhecimento sobre fatores de risco, apresentação clínica e condutas multidisciplinares no cuidado ao idoso.
Justificativa da alternativa correta (C):
De acordo com os protocolos do Ministério da Saúde e a literatura geriátrica, as quedas em idosos são fenômenos multifatoriais. No caso apresentado, o paciente possui fatores intrínsecos (idade, comorbidades, medicamentos como anti-hipertensivos, sintomas motores-pakinsonianos e hipotensão ortostática) e, possivelmente, extrínsecos (ambiente doméstico, adaptação ao contexto após viuvez).
Diante desta complexidade, a abordagem ideal requer atuação conjunta de equipe multidisciplinar: geriatras para avaliar comorbidades e polifarmácia, fisioterapeutas para reabilitação motora, terapeutas ocupacionais para ajuste do ambiente e equipe de enfermagem para monitorização dos riscos. O Protocolo de Prevenção de Quedas da ANVISA destaca que: “Geralmente a queda de pacientes em hospitais está associada a fatores vinculados tanto ao indivíduo como ao ambiente físico... uso de medicamentos e hipotensão postural”.
Análise crítica das alternativas incorretas:
A e B: Incorretas. Tremor não é obrigatório para diagnóstico de parkinsonismo. Rigidez e bradicinesia (presentes no caso) são suficientes segundo critérios de referência (ex: Harrison's e DSM-5). Ausência de tremor não exclui esse diagnóstico.
D: Errada. O uso de imipramina é contraindicado em idosos devido ao perfil anticolinérgico e risco de hipotensão ortostática, podendo aumentar risco de quedas, confusão e delírios — o oposto do desejado. Diretriz da OMS, Sociedade Brasileira de Geriatria (SBGG) e UpToDate reforçam evitar antidepressivos tricíclicos nessa população.
E: Inadequada. Institucionalização não é primeira escolha para prevenção de quedas; prioriza-se promover a autonomia com suporte multidisciplinar e intervenções no domicílio. Deve ser considerada apenas em circunstâncias excepcionais.
Dica de prova: Atenção a pegadinhas sobre sinais clínicos “obrigatórios” para diagnóstico (tremor nem sempre está presente!), bem como contraindicações de drogas na terceira idade.
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