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Q3617676 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
Considerando-se as regras de concordância nominal e verbal, analisar os itens abaixo:

I. A maioria dos adultos brasileiros almejam ter um emprego formal.
II. Uma parte dos brasileiros não tem estudo, mas a maioria é formada.
III. A maioria dos candidatos faltou ao curso de especialização.

Está(ão) CORRETO(S): 
Alternativas

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Gabarito: D) Todos os itens.

Tema central: Esta questão avalia concordância verbal com expressões partitivas (como a maioria de, uma parte de). Esse conhecimento é imprescindível não só para garantir clareza e coesão textual, mas também para atender plenamente à norma culta da Língua Portuguesa, conforme exigência em concursos públicos.

Regra gramatical: Segundo as gramáticas normativas (Cunha & Cintra; Bechara), nas expressões partitivas, o verbo pode concordar tanto com o núcleo do sujeito (no singular) quanto com o termo especificador (no plural). Ambas as formas são aceitas:

  • A maioria dos alunos concordou (verbo no singular, núcleo "maioria");
  • A maioria dos alunos concordaram (verbo no plural, especificador "alunos").

Análise dos itens:

I. "A maioria dos adultos brasileiros almejam..."correto. Verbo no plural, concordando com "adultos brasileiros". Segundo a norma culta, aceitam-se: "a maioria... almeja" ou "a maioria... almejam".

II. "Uma parte dos brasileiros não tem... a maioria é formada."correto. Verbo "tem" no singular, acompanhando "parte", e "é" no singular, acompanhando "maioria"; ambos regulares conforme a norma culta.

III. "A maioria dos candidatos faltou..."correto. Concordância tradicional com "maioria". Se fosse "faltaram", também estaria correto.

Alternativas:

Letra D é a correta, pois todos os itens apresentam construções aceitas pela norma-padrão.
As demais alternativas oferecem respostas incompletas, desconsiderando que ambas concordâncias são aceitas nesses casos.

Dica para provas futuras: Atenção especial às expressões como a maioria de, parte de, grande parte de: tanto o verbo no singular quanto o verbo no plural estão corretos, segundo o Manual de Redação da Presidência da República e gramáticos renomados. Sempre leia atentamente o enunciado para checar se há restrição (exigência obrigatória do singular ou plural) – o que não ocorre nesta questão.

Referências:
Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.
Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa.

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