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Q3617672 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
No trecho: “[...] tarefas pendentes à sua espera [...]”, observa-se o emprego do sinal indicativo de crase. Sobre o emprego desta crase, assinalar a alternativa CORRETA: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Comentário sobre a questão: Uso da Crase antes de Pronomes Possessivos Femininos

Tema central: Crase — fusão da preposição a com o artigo feminino a, formando “à”. O emprego é regido por regras específicas da norma-padrão.

Trecho analisado: “tarefas pendentes à sua espera”

Regra fundamental: O uso da crase antes de pronomes possessivos femininos no singular (minha, tua, sua, nossa, vossa) é facultativo. Isso ocorre porque, nesses casos, o artigo feminino pode ou não ser utilizado antes do pronome, a depender do estilo ou preferência do emissor.

Segundo Evanildo Bechara e Cunha & Cintra, exemplos como “à(ou a) sua espera”, “à(ou a) minha porta” mostram que tanto a presença quanto a ausência do acento indicativo de crase estão corretas (cf. Moderna Gramática Portuguesa, 39ª ed.).

Análise das alternativas:

A) Incorreta. O uso da crase não depende do adjetivo “pendentes”, e sim da fusão entre preposição e artigo antes do pronome possessivo feminino.

B) Incorreta. A alternativa sugere “pronome possessivo substantivo”, mas o termo “sua” é adjetivo (acompanha o substantivo “espera”), e a regra se refere exatamente ao uso facultativo nesse caso.

C) Correta. O uso da crase é facultativo diante de pronomes possessivos femininos no singular porque o artigo é opcional: “à sua espera” e “a sua espera” são formas aceitas.

D) Incorreta. Não se trata de uma locução prepositiva feminina (como “à medida que”, “à exceção de”), mas de preposição + pronome possessivo feminino.

Estratégia para provas: Sempre que encontrar preposição a seguida de pronome possessivo feminino no singular, lembre-se: a crase é facultativa. Essa é uma pegadinha comum, pois há confusão com obrigatoriedade quando o artigo é opcional.

Resumo da regra (didático):A crase é facultativa antes de pronomes possessivos femininos no singular.” (Bechara; Cunha & Cintra)

Portanto, a alternativa correta é a letra C.

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