No 10º parágrafo, o pronome “isso”, sublinhado no trecho: “N...

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Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
No 10º parágrafo, o pronome “isso”, sublinhado no trecho: “Na Itália, as pessoas têm isso muito claro.”, tem como referente: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Questão de interpretação de texto: pronomes demonstrativos e coesão referencial

O tema central aqui é o emprego do pronome demonstrativo “isso” e sua relação de coesão textual. Segundo a norma-padrão apresentada em gramáticas como a de Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), pronomes demonstrativos como “isso” são usados para retomar ideias ou elementos previamente mencionados no texto – o que chamamos de referência anafórica.

Para resolver este tipo de questão, deve-se:

  • Ler o trecho onde aparece o pronome e identificar a ideia principal imediatamente anterior;
  • Buscar qual conceito ou fenômeno acabou de ser explicado ou ressaltado;
  • Analisar se o pronome retomou uma ideia global ou apenas um termo isolado.

No texto, “Na Itália, as pessoas têm isso muito claro”, o pronome “isso” retoma a ideia central exposta no parágrafo anterior, em que o tédio, o tempo de inatividade ou a ociosidade são vistos como uma “limpeza mental”: um momento necessário para o bem-estar do cérebro e da saúde mental.

Alternativa correta: C) O tédio.

O pronome “isso” refere-se ao tédio apresentado como uma “limpeza mental”. O texto deixa claro que, na cultura italiana, o conceito de aproveitar o tédio ou o ócio faz parte da vida, consolidando essa ideia que “tem muito clara”.

Por que as demais opções estão erradas?

  • A) As pessoas — Não faz sentido, pois o pronome refere-se a uma ideia discutida antes, não a sujeitos.
  • B) A limpeza — A palavra “limpeza” está presente, porém o pronome recupera o conceito do tédio como limpeza mental, não a “limpeza” isoladamente.
  • D) O cérebro — Não corresponde ao referente; o cérebro é apenas citado no contexto mais amplo, não como alvo direto do pronome.

Estratégia para provas: Sempre identifique se o pronome demonstrativo retoma uma palavra, expressão ou uma ideia global. Atente às pegadinhas com referências vagas ou ideias amplas, prática comum em provas de concursos!

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