O texto tem, como título, uma pergunta. Nesse sentido, uma r...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3617669 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
O texto tem, como título, uma pergunta. Nesse sentido, uma resposta ou justificativa que possa sustentá-lo está presente no: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Comentário da Questão – Interpretação de Texto

Tema central: A questão aborda interpretação de textos, especificamente a compreensão da relação entre o título (pergunta) e a justificativa apresentada ao longo do texto. O foco está em localizar no texto o trecho que responde ou justifica diretamente o questionamento proposto no título.

Estratégia de Resolução: Para questões desse tipo, a principal habilidade é identificar ideias centrais e buscar por conectivos e marcadores lógicos que indiquem explicação, justificativa ou resposta. O título pergunta: “Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?”. O trecho correto precisa trazer benefícios ou motivos claros para tal afirmação.

Análise da Alternativa Correta:
B) 4º parágrafo:
O 4º parágrafo afirma: “Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.”
Há aqui uma explicação direta dos benefícios do tédio para o cérebro, respondendo com clareza à pergunta do título. Isso estabelece a coerência textual – assegurando relação lógica entre o título e o conteúdo, conforme detalham Koch (2001) e Fávero (2006).

Análise das Alternativas Incorretas:

A) 1º parágrafo: Apenas descreve a dificuldade de “não fazer nada”; não há justificativa dos benefícios do tédio.

C) 6º parágrafo: Explica o experimento do choque, mas não traz resposta à pergunta central sobre os “efeitos positivos” do tédio.

D) 10º parágrafo: Menciona introspecção e relaxamento, mas já pressupõe o benefício, não o justifica de modo argumentativo.

Dica para concursos:
Sempre que o título for uma pergunta, busque respostas objetivas, geralmente acompanhadas de marcadores como “pode”, “permite”, “favorece”, entre outros. Atenção a pegadinhas: nem todo trecho valorizativo ou reflexivo é justificativa! Foque nas causas, explicações ou resultados apresentados textualmente.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo