A utilização de antibióticos em pacientes com colecistite l...

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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Grupo 004 |
Q1685610 Medicina
Uma paciente de 47 anos de idade, obesa, hipertensa e diabética, compareceu ao pronto atendimento de sua cidade, relatando dor em hipocôndrio direito com irradiação para as costas há cerca de dois meses, principalmente após as refeições. Conta ter perdido 10 kg por ter “medo de comer”. Atualmente procura atendimento em razão do agravamento da dor após aniversário de seu filho, durando mais de seis horas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorada, anictérica, demonstrando abdome flácido, com dor à palpação profunda difusa e sinal de Murphy positivo. Acerca dos sinais vitais, constatam-se PA = 150 mmHg x 90 mmHg, FC = 101 bpm, FR = 18 irpm, Tax = 38 ° C e SatO2 = 98%.


Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
A utilização de antibióticos em pacientes com colecistite leve (grau I), vindos da comunidade e operados precocemente, deve ser administrada por mais cinco dias após o procedimento.
Alternativas

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Tema central: O enunciado aborda a conduta antibiótica em colecistite aguda leve (grau I) após colecistectomia precoce, questão bastante frequente em concursos para médico devido à alta prevalência de doenças biliares na prática clínica.

Justificativa para a alternativa correta (E - errado):

A afirmação de que pacientes com colecistite leve devem manter antibiótico por mais cinco dias após cirurgia é incorreta. Segundo as Diretrizes de Tóquio 2018 (Tokyo Guidelines 2018 – TG18), para casos de colecistite aguda leve (grau I) submetidos a colecistectomia laparoscópica precoce, o uso de antibióticos pode ser interrompido no pós-operatório imediato, não sendo recomendado o prolongamento da antibioticoterapia.

Essas recomendações são fundamentadas por evidências robustas que mostram ausência de benefício em estender o uso de antimicrobianos, não havendo redução das taxas de infecção pós-operatória nesses pacientes. Como destacado nas diretrizes e em revisões sistemáticas (ex: UpToDate, Bibliomed), a prática de manter antibióticos após resolução cirúrgica de quadro leve só aumenta risco de eventos adversos e resistência bacteriana, sem vantagens clínicas.

Análise crítica da alternativa incorreta (Certo):

O erro da alternativa está em generalizar a conduta antibiótica prolongada para casos leves, contrariando as orientações internacionais. A antibioticoterapia pós-operatória pode ser considerada em situações específicas (p. ex., colecistite moderada/grave, presença de complicações ou comorbidades que aumentem o risco infeccioso), mas não é rotina para casos leves operados precocemente (sem perfuração, abscesso, necrose ou estado séptico).

Estratégia para a prova: Atente-se a enunciados que generalizam condutas (por exemplo, “sempre”, “todos”) ou que não especificam a gravidade do quadro. Busque palavras-chave como “leve”, “comunitário”, “precocemente operado”, pois são determinantes para a suspensão precoce do antibiótico.

Referências normativas relevantes:

• Diretrizes de Tóquio 2018 (Tokyo Guidelines, seção 2.4): “A antibioticoterapia deve ser descontinuada logo após a colecistectomia em pacientes com colecistite aguda leve.”

• UpToDate 2023, seção “Treatment of acute calculous cholecystitis”: “For mild, community-acquired cases treated with early surgery, post-operative antibiotics are not necessary.”

Resumo final: Em colecistite aguda leve, operada precocemente, o uso de antibióticos não deve ser mantido além do pós-operatório imediato. Portanto, a alternativa está errada.

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Comentários

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A afirmativa esta incorreta. A administração de antibióticos em pacientes com colecistite leve (grau I) é um assunto controverso com diferentes abordagens de acordo com as diretrizes. De acordo com a WSES (World Society of Emergency Surgery), a antibioticoterapia não é rotineiramente recomendada para casos de colecistite aguda não complicada operada dentro de 24 horas. A antibioticoterapia deve ser considerada em casos de demora na cirurgia, imunodepressão ou em pacientes graves. A antibioticoterapia prolongada após a cirurgia também não é recomendada a não ser em situações específicas como em caso de infecção da ferida operatória. Portanto, administrar antibióticos por mais cinco dias após o procedimento não é uma regra geral para pacientes com colecistite leve.

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