“Em tese ao menos, as iniciativas são meritórias, embora ne...

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Q3414432 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Gargalo educacional

Com dados que mostram retrocesso no ensino médio, urge avançar em reforma.


O Brasil não pode se dar ao luxo de retrocessos no ensino médio, o principal gargalo da educação nacional - eles têm ocorrido, contudo.

Em 2022, de acordo com os dados mais recentes do Censo Escolar do MEC, a taxa de evasão nessa etapa do aprendizado chegou a 6,5%, acima dos 5% de 2021. As razões para o abandono dos estudos por adolescentes e jovens são conhecidas; as políticas para enfrentá-las ainda são incipientes.

Pesquisa do IBGE de 2019 mostrou que, entre pessoas de 14 a 29 anos com nível de instrução inferior ao ensino médio, 8,1% deixaram as salas de aula aos 14 anos; o percentual salta para 14,1% aos 15 anos e atinge 17,8% nos 17. Entre os motivos, 39,1% apontaram a necessidade de trabalhar e 29,2% a falta de interesse. Entre as mulheres, a gravidez foi fator importante, com 23,8%.

Também se andou para trás na adesão dos estudantes ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No mais recente, houve 4 milhões de inscritos, mas somente 2,7 milhões (68%) fizeram a prova. Essa discrepância segue um padrão histórico, mas os números mostram tendência preocupante. No pico de 2014, as inscrições chegaram a 8,7 milhões, com 5,9 milhões de participantes efetivos. A partir de 2016, as cifras baixam de patamar. De quase 1,8 milhão de alunos matriculados no último ano do ensino médio em 2023, só 838 mil compareceram ao exame - isto é, menos da metade dos formados nessa etapa do ensino.

Não há diagnóstico para a queda de interesse no Enem, que abre as portas para o ingresso em uma pletora de universidades. Tampouco se sabe por que em São Paulo, o estado mais rico, a adesão de 41% é a segunda menor do país, enquanto no Ceará a taxa vai a 80%.

Camilo Santana, ministro da Educação, anunciou que o governo pretende pagar um valor em dinheiro a estudantes de baixa renda do terceiro ano do ensino médio que participarem do Enem, além de uma bolsa estudantil para esse estrato - esta com lei já sancionada pela Presidência da República.

Em tese ao menos, as iniciativas são meritórias, embora nem mesmo se saiba até agora com clareza quais serão as regras para os benefícios instituídos e como serão financiados. O enfrentamento do problema, porém, depende de providências mais importantes.

A mais imediata delas é a agilização da reforma do ensino médio, hoje dependente de um entendimento entre governo federal, estados e Congresso. Espera-se que, com ela, a reformulação dos currículos reduza a evasão.

Para o longo prazo restam as mazelas sociais que afligem os estudantes - e que não são um desafio apenas da educação.

“Em tese ao menos, as iniciativas são meritórias, embora nem mesmo se saiba até agora [...].”
Assinale a alternativa em que a substituição da palavra destacada nessa frase altera seu sentido.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de texto e semântica de conjunções subordinativas, especificamente a identificação de sentido (concessão x condição) nas relações frasais.

A banca testou aqui sua capacidade de reconhecer diferenças semânticas entre conectivos, um dos pontos mais recorrentes em provas para Professor de Língua Portuguesa. Na frase original, a conjunção “embora” informa ao leitor que as iniciativas são vistas como meritórias apesar do fato de não se saber detalhes sobre as regras e o financiamento — ou seja, expressa concessão.

Regra gramatical envolvida: Conforme Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), conjunções concessivas (“embora”, “conquanto”, “por mais que”, “posto que”) introduzem um obstáculo que, embora existente, não impede a validade do que se afirma na oração principal. Já conjunções condicionais (“contanto que”, “caso”, “se”) impõem uma condição para que a ação principal ocorra.

Alternativa correta: A
“contanto que” (Alternativa A) altera o sentido do trecho, pois insere uma condição para que as iniciativas sejam meritórias, quando o original expressava concessão.

Análise das demais alternativas:

  • B: “conquanto” é concessiva, mantém o sentido.
  • C: “posto que”, usada como concessiva, preserva o sentido.
  • D: “por mais que” é concessiva, mantendo a ideia original.

Observe como possíveis pegadinhas desse tipo envolvem a troca sutil entre conjunções aparentemente próximas. Para evitar erros, ao ler a frase, pergunte-se: “O fato posterior é exigência (condição) ou obstáculo (concessão)?” No texto, trata-se de obstáculo.

Estratégia para futuras questões: Relacione sempre o valor semântico da conjunção ao contexto, verificando se indica condição, concessão, causa, etc. Treine a substituição de conectivos em frases reais de textos!

Portanto, a alternativa correta é: A, porque altera o sentido concessivo para condicional.

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Comentários

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"Embora" é uma conjunção concessiva, ou seja, introduz uma contradição ou ressalva à ideia principal.

EMBORA = ainda que, mesmo que, conquanto, posto que, não obstante, se bem que, por mais que

a) "contanto que"

Errado. "Contanto que" é uma conjunção condicional = indica condição, não concessão.

CONTANTO QUE = desde que, caso, se, uma vez que...

Ex: “Você pode sair, contanto que volte cedo.” (se voltar cedo)

b) "conquanto"

Conquanto = conjunção concessiva, equivalente a “embora”.

Certo.

c) "posto que"

Posto que pode ser concessiva ou causal, mas no contexto da frase, também serve como concessiva.

Certo

d) "por mais que"

Por mais que = conjunção concessiva.

Certo.

B. conquanto ✅

A conjunção "conquanto" é sinônimo de "embora" e é uma conjunção concessiva.

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