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Q3546989 Medicina
Uma criança de 8 anos é levada ao médico devido a alterações no comportamento, perda de equilíbrio e dores de cabeça frequentes. O exame neurológico revela sinais de aumento da pressão intracraniana, e os exames de imagem mostram a presença de uma massa cerebral. Diante desse quadro, o médico suspeita de um tumor do sistema nervoso central em uma criança.
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Tema central: Tumores do SNC em crianças, especialmente os da fossa posterior. Em pediatria, os tumores mais comuns situam-se no cerebelo e frequentemente cursam com sinais de aumento da pressão intracraniana (cefaleia, vômitos) e ataxia.

Alternativa correta: C – Meduloblastoma

O meduloblastoma é o tumor maligno cerebral mais comum em crianças, tipicamente localizado no vermis cerebelar (linha média), levando a hidrocefalia obstrutiva e sintomas como cefaleia, vômitos e ataxia de tronco. Na imagem, costuma ser massa midlinhe na fossa posterior, frequentemente hiperdensa na TC e com restrição à difusão na RM. Há risco de disseminação leptomeníngea (“drop metastases”) pelo LCR.

Diagnóstico: RM de encéfalo (e coluna para estadiamento) com contraste; citologia do LCR após controle da hipertensão intracraniana e cirurgia. Referências: UpToDate; WHO CNS Classification 2021; Harrison’s.

Tratamento: ressecção máxima segura + radioterapia cranioespinhal (se ≥3 anos) + quimioterapia adjuvante. Em menores de 3 anos, usa-se quimioterapia para postergar radiação. Estratificação por risco/molecular (WNT, SHH, grupos 3/4) guia prognóstico. Diretrizes: UpToDate, protocolos oncopediátricos (SOBOPE/NCCN).

Por que as demais estão incorretas?

  • A – Glioma: termo amplo que inclui astrocitomas, oligodendrogliomas etc. Não é diagnóstico específico. Meduloblastoma é embrional, não é um glioma.
  • B – Meningioma: raro em crianças, extra-axial, com “dural tail” na RM; costuma dar sinais focais/convulsões. Não é a causa típica de massa de fossa posterior com ataxia em criança.
  • D – Astrocitoma: astrocitoma pilocítico cerebelar é comum em crianças, mas geralmente low-grade, evolução mais indolente, imagem clássica cística com nódulo mural e localização mais lateral no hemisfério cerebelar. O quadro descrito sugere tumor midlinhe, agressivo, compatível com meduloblastoma.
  • E – Craniofaringioma: suprasselar; manifesta-se com distúrbios visuais, endócrinos (déficit de crescimento, puberdade atrasada, DI) e cefaleia. Não explica ataxia por lesão de cerebelo/fossa posterior.

Estratégia de prova: em criança com cefaleia/vômitos + ataxia e massa de fossa posterior, pense em meduloblastoma (midlinhe, maligno) versus astrocitoma pilocítico (lateral, cístico, baixo grau). Ausência de sintomas visuais/endócrinos afasta craniofaringioma; lesões extra-axiais e raridade infantil afastam meningioma.

Fontes recomendadas: UpToDate (Pediatric medulloblastoma); Harrison’s Principles of Internal Medicine; WHO Classification of Tumors of the CNS (2021); diretrizes oncopediátricas (SOBOPE/NCCN).

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