Homem de 72 anos, portador de câncer de pulmão metastático, ...
Homem de 72 anos, portador de câncer de pulmão metastático, é atendido no serviço de emergência com sonolência, confusão mental, vômitos, sede e micção frequente. As pupilas estavam isocóricas e fotorreagentes; parecia desidratado e não havia déficit motor aparente. A glicemia capilar apresentou 95 mg/dL, e um eletrocardiograma mostrou no traçado um encurtamento do intervalo QT.
Enquanto aguardava os resultados dos exames de sangue, o médico iniciou o tratamento do paciente. Sua hipótese diagnóstica inicial foi
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Tema central: O caso aborda complicação metabólica comum em pacientes com câncer avançado: hipercalcemia. Entender manifestações clínicas e alterações no ECG é essencial para o diagnóstico correto em situações de emergência clínica.
Justificativa da alternativa B (Hipercalcemia): O paciente apresenta sonolência, confusão, vômitos, sede e poliúria, além de desidratação – sintomas típicos da hipercalcemia. Segundo o Manual MSD, “os primeiros sintomas da hipercalcemia são, geralmente, constipação, náusea, vômitos, dor abdominal e perda de apetite. A pessoa pode excretar uma quantidade excepcionalmente elevada de urina, o que causa desidratação e aumento da sede”.
Além disso, o encurtamento do intervalo QT no eletrocardiograma é um achado clássico de hipercalcemia, indicativo de maior velocidade de repolarização ventricular. O câncer de pulmão, particularmente em estágio metastático, frequentemente está associado à hipercalcemia por mecanismos como secreção de PTHrP. Portanto, todos os sinais e sintomas convergem para essa hipótese, alinhando-se ao conhecimento médico atual (referência: Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª edição).
Análise das alternativas incorretas:
A) Diabetes secundário: Glicemia normal (95 mg/dL) exclui quadro agudo de hiperglicemia. Não há indícios laboratoriais nem clínicos compatíveis com cetoacidose ou complicações diabéticas.
C) Metástase cerebral: Poderia causar confusão e sonolência, mas não explicaria sede intensa, poliúria e encurtamento do QT no ECG. Além disso, não há sinais focais neurológicos.
D) Síndrome da lise tumoral: Frequentemente cursa com hipocalcemia, hiperuricemia e hiperfosfatemia, além de ocorrer após início do tratamento oncológico. Não há sinais laboratoriais nem contexto clínico compatíveis.
E) SIADH: Relacionada a hiponatremia por retenção de água, com sintomas como cefaleia e letargia. Não causa poliúria, sede nem alterações do intervalo QT típicas da hipercalcemia.
Estratégias de prova: Fique atento a detalhes que direcionam ao diagnóstico, como descrição de sintomas clássicos (sede, poliúria), resultados laboratoriais chave (glicemia normal) e alterações eletrocardiográficas específicas. Termos como “metastático” alertam para possíveis complicações paraneoplásicas.
Resumo: O quadro é característico de hipercalcemia no contexto de neoplasia avançada. O reconhecimento precoce salva vidas – a abordagem consiste em hidratação vigorosa e bloqueio da reabsorção renal de cálcio, conforme recomendado por consensos internacionais.
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