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Q3613099 Medicina
Indivíduos com história clínica de ferimentos e possível contaminação, com evolução para rigidez muscular da mandíbula (mandíbula travada), em seguida, espasmos, trismo, rigidez do pescoço e de outros músculos, disfagia, irritabilidade, hiperreflexia e, finalmente, convulsões dolorosas precipitadas por estímulos mínimos, caracteriza o(a): 
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Tema central: quadro clínico típico de tétano generalizado, desencadeado por ferimento contaminado e marcado por trismo (rigidez mandibular), espasmos dolorosos precipitados por estímulos mínimos, rigidez cervical e de tronco, disfagia e hiperreflexia.

Alternativa correta: B – Tétano

Justificativa clínica: A toxina tetânica (tetanospasmina) do Clostridium tetani alcança o SNC por via retrógrada e bloqueia a liberação de GABA e glicina (células de Renshaw), causando desinibição motora com rigidez muscular, espasmos desencadeados por luz/som/toque, trismo, “risus sardonicus” e, em casos graves, disautonomia. A associação com ferimento potencialmente contaminado reforça o diagnóstico. O diagnóstico é clínico; culturas do ferimento frequentemente são negativas (Harrison’s; UpToDate; Diretrizes OMS).

Por que as demais estão incorretas?

  • A – Raiva: cursa com hidrofobia, aerofobia, parestesias no local da mordida e encefalite; não há trismo e rigidez desencadeada por estímulos do tipo tetânico. Exposição típica é mordida de mamífero, não ferimento sujo inespecífico.
  • C – Meningite bacteriana: febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca e rebaixamento do sensório; LCR com pleocitose e hipoglicorraquia. Não produz trismo nem espasmos precipitados por estímulos.
  • D – Meningococcemia: sepse meningocócica com púrpura/lesões petequiais, choque e CIVD; pode haver meningite associada, mas sem o padrão de espasmos dolorosos por estímulos.
  • E – Leptospirose: febre, mialgia de panturrilhas, conjuntivite, podendo evoluir com icterícia (síndrome de Weil) e insuficiência renal; não causa trismo e espasmos tônicos generalizados.

Diagnóstico e diferenciação: diagnóstico é clínico. Exames são inespecíficos; LCR normal. Pensar em tétano quando houver trismo + espasmos por estímulos + ferimento. Evite a “armadilha” de confundir rigidez de nuca do tétano com meningite.

Conduta essencial (resumo):

  • Neutralizar toxina: Imunoglobulina humana antitetânica (TIG) 3.000–5.000 UI IM o quanto antes (OMS/Ministério da Saúde).
  • Controlar infecção: Metronidazol EV é preferido; alternativa: penicilina G.
  • Controle de espasmos: benzodiazepínicos; casos graves: bloqueadores neuromusculares e ventilação.
  • Cuidados de UTI: ambiente silencioso, manejo da disautonomia, hidratação, nutrição.
  • Ferida: desbridamento.
  • Imunização ativa: iniciar/atualizar esquema com toxoide tetânico (3 doses/ reforço).

Estratégia de prova: diante de ferimento + mandíbula travada + espasmos por estímulos, marque TÉTANO. Se houver púrpura/choque, pense em meningococcemia; hidrofobia sugere raiva.

Referências: OMS Tetanus Vaccine Position Paper; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Clinical features and management of tetanus.

Gabarito: B – Tétano.

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