Há momentos em que a história deixa de avançar aos poucos...

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Q4193494 Português
   Há momentos em que a história deixa de avançar aos poucos e passa a se mover por saltos. Não porque as notícias mudem, mas porque as potências decidem que já não podem adiar decisões. É isso que estamos vendo agora. Estados Unidos e China reorganizam silenciosamente os fundamentos da economia global. Cada lado com clareza, método e propósito.
   Os Estados Unidos tratam produção, comércio e agricultura como peças de um tabuleiro maior. Não se discute mais porcentagem de tarifa. A discussão é se uma cadeia produtiva fortalece ou enfraquece a segurança nacional. Centros de pensamento como a Heritage Foundation, que tem grande influência sobre o secretário de Estado Marco Rubio, defendem que chegou o fim da era da integração automática com a China. A ordem é reduzir riscos, diversificar dependências e recuperar o que foi perdido em décadas de deslocamento industrial. A tarifa virou instrumento de poder.
   A China, por sua vez, opera com uma disciplina única e invejável. Seu novo marco de segurança alimentar, os documentos anuais de orientação rural e o projeto de autossuficiência apontam para uma visão de longo prazo. Pequim investe em reservas estratégicas, terras raras, ciência aplicada ao campo, tecnologia verde, fertilizantes, máquinas e plataformas digitais que unificam produção, logística e crédito. Enquanto muitos países tratam agricultura como setor tradicional, a China a elevou ao centro de sua estratégia de sobrevivência e projeção.
     As duas maiores potências do planeta estão jogando xadrez.
    E o Brasil tenta ser vencedor jogando dominó.
   Não é por falta de talento ou potencial. É por ausência de projeto. Continuamos presos a debates de tarifa, acesso sanitário ou frases diplomáticas que dizem pouco. O mundo já está em outro ritmo. Agricultura, energia, tecnologia e finanças se tornaram ferramentas de afirmação nacional. Nosso lugar natural seria o de ator indispensável. Mas seguimos negociando sem saber onde estamos e como se tivéssemos pouco a oferecer.

Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/cenario-global/entre-o-xadrez-e-o-domino/. Acesso em: 20 jan. 2026.

Sobre o papel dos conectores destacados em negrito, assinale a alternativa incorreta
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o valor semântico-discursivo do conector no contexto, com base no trecho “Enquanto muitos países tratam agricultura como setor tradicional, a China a elevou ao centro de sua estratégia de sobrevivência e projeção.”. Ali, “enquanto” estabelece relação contrastiva entre duas posturas, não equiparação; por isso, a alternativa A contradiz a função efetiva do conector e é a incorreta.

Tema central: valor dos conectores
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa A está errada porque atribui a “Enquanto” um valor de equiparação que o período não sustenta. O trecho põe em oposição duas condutas estratégicas diferentes: de um lado, países que tratam a agricultura como setor tradicional; de outro, a China, que a coloca no centro de sua estratégia de sobrevivência e projeção. Há cotejo, mas para marcar contraste valorativo, não equivalência.
B
Certa
Está correta, por isso não pode ser a alternativa pedida. Em “E o Brasil tenta ser vencedor jogando dominó.”, “E” exerce função aditiva: acrescenta ao quadro anterior sobre Estados Unidos e China a avaliação sobre o Brasil. Esse acréscimo, no encadeamento argumentativo, introduz o núcleo da crítica do texto.
C
Certa
Está correta, por isso não pode ser a alternativa pedida. Em “Nosso lugar natural seria o de ator indispensável. Mas seguimos negociando sem saber onde estamos...”, “Mas” introduz adversidade entre uma expectativa positiva sobre o papel do Brasil e a realidade negativa apontada pelo autor. O conector marca ruptura argumentativa e intensifica a crítica.
D
Certa
Está correta, por isso não pode ser a alternativa pedida. Em “A China, por sua vez, opera com uma disciplina única e invejável.”, “por sua vez” faz a alternância de foco argumentativo: depois do bloco sobre os Estados Unidos, o texto passa ao bloco referente à China, em contraste estrutural com o anterior.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre comparação e equiparação: o candidato vê dois termos postos em paralelo por “enquanto” e conclui, de modo indevido, que o conector iguala as posturas, quando o efeito do trecho é contrastá-las.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o conector aproxima dois termos para igualá-los ou para opô-los; paralelismo não significa equivalência.
  • Leia o período completo antes de definir o valor do conector, porque o sentido depende da relação entre os dois segmentos.
  • Em questões de coesão, observe a função do conector na progressão do argumento, não apenas sua classe gramatical.
  • Locuções como “por sua vez” costumam organizar alternância de foco entre blocos do texto, e não apenas sequência de informações.

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Comentários

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acredito que o gabarito está errado. Na letra b, o "E" tem valor adversativo.

As duas maiores potências do planeta estão jogando xadrez.

   E (mas) o Brasil tenta ser vencedor jogando dominó.

sobre a letra a, até podemos considerar que "enquanto" tem valor temporal, mas dizer que atua como valor comparativo não está errado, logo, considero um alternativa correta.

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