Há momentos em que a história deixa de avançar aos poucos...
Os Estados Unidos tratam produção, comércio e agricultura como peças de um tabuleiro maior. Não se discute mais porcentagem de tarifa. A discussão é se uma cadeia produtiva fortalece ou enfraquece a segurança nacional. Centros de pensamento como a Heritage Foundation, que tem grande influência sobre o secretário de Estado Marco Rubio, defendem que chegou o fim da era da integração automática com a China. A ordem é reduzir riscos, diversificar dependências e recuperar o que foi perdido em décadas de deslocamento industrial. A tarifa virou instrumento de poder.
A China, por sua vez, opera com uma disciplina única e invejável. Seu novo marco de segurança alimentar, os documentos anuais de orientação rural e o projeto de autossuficiência apontam para uma visão de longo prazo. Pequim investe em reservas estratégicas, terras raras, ciência aplicada ao campo, tecnologia verde, fertilizantes, máquinas e plataformas digitais que unificam produção, logística e crédito. Enquanto muitos países tratam agricultura como setor tradicional, a China a elevou ao centro de sua estratégia de sobrevivência e projeção.
As duas maiores potências do planeta estão jogando xadrez.
E o Brasil tenta ser vencedor jogando dominó.
Não é por falta de talento ou potencial. É por ausência de projeto. Continuamos presos a debates de tarifa, acesso sanitário ou frases diplomáticas que dizem pouco. O mundo já está em outro ritmo. Agricultura, energia, tecnologia e finanças se tornaram ferramentas de afirmação nacional. Nosso lugar natural seria o de ator indispensável. Mas seguimos negociando sem saber onde estamos e como se tivéssemos pouco a oferecer.
Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/cenario-global/entre-o-xadrez-e-o-domino/. Acesso em: 20 jan. 2026.
Sobre o papel dos conectores destacados em negrito, assinale a alternativa incorreta.