Analise as afirmativas a seguir: I. A cardiomiopatia crônic...
I. A cardiomiopatia crônica da doença de Chagas (CCDC) é resultante de miocardite fibrosante focal de baixa intensidade, mas incessante, causada pela infecção persistente do Leishmania braziliensis, associada à inflamação mediada por mecanismos imunes adversos.
II. O acometimento cardíaco da doença de Chagas, na fase crônica, envolve relevante morbidade e mortalidade, sendo a principal causa de cardiomiopatia não-isquêmica na América Latina.
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Gabarito: C — a afirmativa II é verdadeira e a I é falsa.
Tema central: Cardiomiopatia chagásica crônica (CCC) — cardiomiopatia não-isquêmica causada por Trypanosoma cruzi, com alta morbimortalidade por insuficiência cardíaca, arritmias e eventos tromboembólicos.
Por que a II é verdadeira? Na fase crônica, o acometimento cardíaco é a principal causa de cardiomiopatia não-isquêmica na América Latina, com impacto expressivo em mortalidade por morte súbita e IC. Achados típicos: bloqueio de ramo direito com hemibloqueio anterior esquerdo, arritmias ventriculares, aneurisma apical, disfunção ventricular e trombos. Referências: OMS/OPAS (Chagas factsheet), UpToDate, Harrison’s, Diretrizes da SBC para IC.
Por que a I é falsa? A etiologia está errada: a doença de Chagas é causada por Trypanosoma cruzi, e não por Leishmania braziliensis (agente da leishmaniose tegumentar). Embora descreva um conceito compatível com a CCC — miocardite fibrosante crônica e persistente com participação imune —, o agente etiológico incorreto invalida a afirmativa. A fisiopatologia envolve persistência parasitária tecidual, inflamação autoimune, disfunção microvascular e desnervação autonômica, levando a fibrose e arritmias. Fontes: UpToDate; AHA/ACC statement sobre CCC; Harrison’s.
Estratégia de prova (pegadinha): sempre confira o agente etiológico. Ver “Leishmania” em questão de Chagas é sinal de erro. A descrição histopatológica pode parecer correta e confundir, mas o parasita define o diagnóstico.
Resumo prático para o concurso:
- Diagnóstico (fase crônica): sorologia com dois testes diferentes (ELISA/IFI); ECG (BRD + HBAE), Holter; ecocardiograma (aneurisma apical, trombos); RM para fibrose; estratificação de risco (Rassi).
- Tratamento: benznidazol/nifurtimox preferencialmente na fase aguda/início da crônica; na CCC estabelecida, tratar IC e arritmias conforme diretrizes (IECA/ARB/ARNI, betabloqueador, MRA, iSGLT2; amiodarona/DAI conforme risco; anticoagulação em FA, trombo ou aneurisma apical). Diretrizes SBC/OMS/UpToDate.
Análise das alternativas:
A (ambas verdadeiras): incorreta, pois a I é falsa pelo parasita errado.
B (I verdadeira, II falsa): incorreta; II é bem estabelecida nas diretrizes.
D (ambas falsas): incorreta; II é verdadeira.
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