Em relação à progressão e prognóstico da cirrose hepática, a...
Em relação à progressão e prognóstico da cirrose hepática, analise as seguintes assertivas:
I. A presença de ascite e varizes esofágicas reflete hipertensão portal clinicamente significativa.
II. A combinação de envelhecimento e comorbidades, como diabetes melito e sarcopenia, não afeta o prognóstico em pacientes com cirrose descompensada.
III. A mediana de sobrevida de pacientes com cirrose descompensada é mais favorável para aqueles com hepatocarcinoma (HCC) comparada àqueles sem HCC, mesmo na presença de encefalopatia hepática e sangramento varicoso. IV. A pontuação MELD é uma ferramenta de pontuação usada para avaliar a gravidade da doença hepática e prever o risco de mortalidade em pacientes com cirrose hepática avançada.
Quais estão corretas?
Gabarito comentado
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Gabarito: C — Apenas I e IV
Tema central: Progressão e prognóstico da cirrose. A cirrose evolui de fase compensada (sem eventos) para descompensada (ascite, sangramento varicoso, encefalopatia, infecções), com grande impacto na sobrevida e indicação de transplante.
Por que a alternativa C está correta?
I. Verdadeira. Ascite e varizes esofágicas são manifestações de hipertensão portal clinicamente significativa (CSPH), classicamente definida por HVPG ≥10 mmHg. Complicações como ascite, HDA varicosa e encefalopatia surgem quando há CSPH. Diretrizes Baveno VII e EASL reforçam que varizes ou ascite são marcadores clínicos de CSPH.
IV. Verdadeira. A pontuação MELD (atual MELD‑Na) utiliza bilirrubina, INR, creatinina e sódio para estimar mortalidade em 3 meses e priorizar transplante hepático. Quanto maior o MELD, maior o risco de morte. Recomendado por AASLD/EASL e amplamente usado em listas de transplante.
Por que as demais estão erradas?
II. Falsa. Envelhecimento, diabetes e sarcopenia pioram o prognóstico. Associam-se a maior risco de infecções, descompensações, fraqueza/frailty e mortalidade; diabetes acelera progressão e aumenta HCC, e sarcopenia aumenta mortalidade e queda funcional. Há consenso em AASLD/EASL e evidência em revisões do UpToDate.
III. Falsa. HCC não melhora a sobrevida; ao contrário, reduz. Em cirrose descompensada (ascite, encefalopatia, sangramento varicoso), a presença de HCC agrava o prognóstico. A sobrevida mediana na descompensação gira em torno de 2–4 anos e é menor com HCC, dependendo do estágio (BCLC). Logo, a afirmação é oposta ao conhecimento atual.
Dicas de prova (como raciocinar):
- Palavras absolutas como “não afeta” costumam sinalizar erro em clínica. Idade, DM e sarcopenia quase sempre pioram desfechos em cirrose.
- Lembre: varizes/ascite = CSPH; encefalopatia e HDA = descompensação.
- MELD‑Na é a ferramenta padrão para risco de 3 meses e alocação para transplante.
Referências essenciais: AASLD Practice Guidance on decompensated cirrhosis; EASL Clinical Practice Guidelines on Portal Hypertension; Baveno VII Consensus; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Cirrhosis: natural history; MELD-Na).
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