Homem, 78 anos, procura atendimento de urgência com dor orbi...

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Q3833428 Medicina
Homem, 78 anos, procura atendimento de urgência com dor orbital e temporal à direita, padrão em “choques”, muito forte intensidade. A dor persiste há alguns dias e tem apresentado pioras ocasionais, pelo menos cinco ao dia, que duram cerca de 15-20 minutos, associada com inquietação, discreta ptose palpebral, hiperemia e lacrimejamento à direita.
Além de analgesia, assinale a alternativa que indica a medicação que deve ser iniciada imediatamente.   
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O quadro é de cefaleia trigêmino-autonômica compatível com hemicrania paroxística: crises unilaterais orbitotemporais intensas, de 15-20 minutos, várias vezes ao dia, com sinais autonômicos ipsilaterais e inquietação; nessa entidade, a medicação a ser iniciada é a indometacina.

Tema central: Hemicrania paroxística
Análise das alternativas
A
Errada
Carbamazepina é clássica para neuralgia do trigêmeo, mas esse não é o padrão clínico dominante aqui. Na neuralgia do trigêmeo, os paroxismos costumam durar segundos, frequentemente com gatilhos mecânicos, e sem esse conjunto autonômico ipsilateral tão marcado. O termo "choques" é insuficiente para definir neuralgia do trigêmeo quando a duração é de 15-20 minutos e há lacrimejamento, hiperemia, ptose e inquietação.
B
Errada
Lamotrigina não é a medicação de início imediato para o fenótipo descrito. A base sustenta que o quadro é mais compatível com hemicrania paroxística, cuja característica terapêutica decisiva é a resposta à indometacina. Portanto, essa alternativa erra por não corresponder à droga definidora da entidade clínica sugerida.
C
Certa
A indometacina é a droga característica da hemicrania paroxística. O enunciado traz os elementos que sustentam esse diagnóstico sindrômico: dor unilateral orbitotemporal, crises curtas porém não de segundos, alta frequência diária e sinais autonômicos cranianos ipsilaterais. Nesse contexto, a resposta à indometacina tem valor terapêutico característico e praticamente confirmatório, o que torna essa a alternativa compatível com o quadro descrito.
D
Errada
Prednisona pode ser lembrada em terapia de transição para cefaleia em salvas, mas não é a medicação característica da hemicrania paroxística. A exclusão aqui se faz pelo confronto entre síndromes: embora dor orbitária, lacrimejamento e inquietação possam lembrar cefaleia em salvas, a frequência de pelo menos cinco crises ao dia e a resposta farmacológica definidora apontam para hemicrania paroxística, não para indicação de prednisona como escolha imediata.
E
Errada
Topiramato pode ter papel preventivo em algumas cefaleias primárias, mas não é a droga específica que define a conduta diante de hemicrania paroxística. O critério eliminatório é farmacológico e diagnóstico ao mesmo tempo: entre as opções, apenas a indometacina corresponde à cefaleia indometacina-responsiva descrita.
Pegadinha da questão
A banca mistura sinais que podem lembrar neuralgia do trigêmeo pelo termo "choques" e cefaleia em salvas pelos sinais autonômicos e inquietação, mas a duração de 15-20 minutos, a frequência diária elevada e a resposta terapêutica característica fecham melhor com hemicrania paroxística.
Dica para questões semelhantes
  • Em dor facial ou orbitotemporal, não decida pelo adjetivo "em choques" sozinho; primeiro confira duração das crises e presença de sinais autonômicos.
  • Crises unilaterais curtas, repetidas várias vezes ao dia, com lacrimejamento, hiperemia ou ptose, apontam para cefaleia trigêmino-autonômica.
  • Se o quadro sugerir hemicrania paroxística, a indometacina é o critério terapêutico mais decisivo entre as opções.
  • Para diferenciar de neuralgia do trigêmeo, valorize que neuralgia clássica costuma ter paroxismos de segundos, não de 15-20 minutos.

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