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Q3192511 Medicina
Homem, 68 anos, com histórico de artrite reumatoide em uso crônico de AINEs, apresenta dor epigástrica de início súbito associada à hematêmese. Na admissão, está hemodinamicamente estável, e a EDA mostra uma úlcera gástrica, sem estigmas de sangramento ativo. O teste para Helicobacter pylori foi negativo. O paciente relata o uso de omeprazol, mas de maneira inconsistente. Qual é o próximo passo mais apropriado no manejo desse paciente? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Úlcera gástrica relacionada a AINE com sangramento prévio, EDA sem estigmas de sangramento ativo. Conduta: suspender fator agressor, usar IBP em dose alta e controlar cicatrização por EDA (regra importante em úlcera gástrica para excluir malignidade).

Gabarito: E — Suspender AINE, iniciar IBP em dose alta e realizar EDA de controle em 8 semanas.

Justificativa clínica: AINEs inibem COX-1, reduzem prostaglandinas protetoras, muco e bicarbonato, favorecendo erosões/úlceras e sangramento. Em úlcera gástrica, mesmo sem estigmas de alto risco, recomenda-se retirada do AINE e IBP em dose alta (ex.: omeprazol 40 mg 2x/dia ou equivalente) por ~8 semanas, além de EDA de controle para confirmar cicatrização e excluir neoplasia (prática sustentada por ACG/ESGE e Harrison’s). Teste para H. pylori negativo afasta terapia de erradicação imediata; pode-se reavaliar H. pylori depois (suspender IBP por 2 semanas ou usar teste fecal/biopsia), pois PPI e sangramento agudo podem gerar falso-negativo (UpToDate/ACG).

Análise das alternativas:

A – “Continuar omeprazol na mesma dose e EDA em 6 semanas.” Erra por não suspender o AINE, principal fator agressor. Além disso, úlcera gástrica geralmente requer dose alta de IBP e controle em ~6–8 semanas; manter “mesma dose” é insuficiente.

B – “Suspender AINE, iniciar esquema triplo para H. pylori e EDA em 8 semanas.” Acerta ao retirar AINE e ao controlar por EDA, porém indica erradicação sem infecção. Diretrizes (ACG 2022) não recomendam tratar H. pylori quando o teste é negativo; melhor é retestar se suspeita de falso-negativo, não tratar empiricamente.

C – “Aumentar IBP e manter AINEs.” Inadequado: persistir com o AINE eleva risco de rebleeding e retarda cicatrização. Se o AINE for imprescindível no futuro, considerar coxibe + IBP ou misoprostol, mas o passo imediato é interromper.

D – “Antiácidos + AINE + bloqueador H2.” H2 e antiácidos são inferiores aos IBPs para cicatrização e prevenção de ressangramento em úlcera por AINE. Mantém o AINE, o que é um erro central.

E – Correta. Suspende o AINE, inicia IBP em dose alta e programa EDA em 8 semanas, alinhado a ACG/ESGE e Harrison’s para úlcera gástrica pós-sangramento sem estigmas.

Dicas de prova: - “Úlcera gástrica” pede EDA de controle (excluir malignidade). - Em sangramento por AINE sem estigmas: IBP alta dose e retirar AINE. - H. pylori negativo ≠ tratar; reteste se houver suspeita de falso-negativo.

Referências: ACG Clinical Guideline: Upper GI and Ulcer Bleeding (Laine 2021); ACG 2022 H. pylori Guideline; ESGE 2021 Non-variceal Upper GI Hemorrhage; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.

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