Homem, 52 anos, sem história de asma ou alergias, apresenta ...

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Q3192505 Medicina
Homem, 52 anos, sem história de asma ou alergias, apresenta tosse seca persistente há 6 meses, pior à noite e após refeições. Ele também relata ocasional rouquidão, sensação de garganta irritada e episódios esporádicos de regurgitação ácida. Não há história de febre, perda de peso ou dispneia. O exame físico revela otoscopia normal, sem sinais de infecção respiratória superior, e laringoscopia mostra leve hiperemia das cordas vocais. O paciente nega dor torácica ou queimação retroesternal. Com base nesse quadro clínico, qual é o próximo passo mais adequado na investigação? 
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda a investigação diagnóstica da tosse crônica relacionada à Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), especialmente suas manifestações extraesofágicas (tosse, rouquidão, irritação de garganta), sem sinais de alarme.

Justificativa da alternativa correta (E):

O paciente apresenta sintomas sugestivos de DRGE extraesofágica: tosse seca persistente, pior à noite e após refeições, rouquidão, desconforto faríngeo e episódios de regurgitação ácida. Ausência de febre, perda de peso ou dispneia tornam menos provável causas infecciosas, neoplásicas ou sistêmicas graves.

Conforme o Projeto Diretrizes da AMB/CFM (seção "Manifestação respiratórias e outras"), “pacientes com tosse crônica, por sua vez, têm no refluxo gastroesofágico a causa de seu sintoma em 20% a 30% das vezes”. Em tais situações, o primeiro passo recomendado é iniciar terapia empírica com IBP em dose dobrada por 8 semanas, avaliando a resposta clínica. Este é um método validado, menos invasivo e custo-efetivo para casos sem sinais de alarme, apoiado também em UpToDate e consensos internacionais.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) TC de tórax: Exame de escolha para investigação de sintomas alarmantes ou suspeita de lesão pulmonar estrutural. Não há sinais clínicos que justifiquem essa abordagem de início.

B) Broncodilatadores/corticosteroides inalatórios: Não há evidências clínicas de asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica. Sua prescrição é inadequada neste contexto.

C) pHmetria esofágica: Embora seja padrão-ouro para diagnóstico de DRGE, não é indicada como primeira linha em pacientes sem sinais de alarme. É reservada para casos refratários ou dúvidas diagnósticas após tentativa terapêutica empírica.

D) Biópsia laríngea: Não há lesão suspeita na laringoscopia, nem fatores de risco ou sintomas compatíveis com neoplasia.

Pegadinhas e pontos-chave: Questões de concursos frequentemente induzem erro ao abordar exames sofisticados antes de esgotar abordagens simples. Ofereça sempre condutas graduais, respaldadas por protocolos, especialmente na ausência de sinais de gravidade.

Resumo para concursos: Paciente com tosse crônica e sintomas de DRGE, sem sinais de alarme, deve realizar teste terapêutico com IBP em dose dobrada por 8 semanas antes de investigações invasivas. Isso se alinha às melhores práticas e recomendações das principais diretrizes nacionais.

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