Homem, 45 anos, sem antecedentes pessoais de câncer, mas com...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3192499 Medicina
Homem, 45 anos, sem antecedentes pessoais de câncer, mas com história familiar de câncer colorretal em parentes de primeiro grau, apresenta-se para avaliação. Durante a colonoscopia, é identificado um pólipo adenomatoso no cólon ascendente. A biópsia revela carcinoma mucinoso. A análise adicional mostra instabilidade de microssatélites (MSI) e imunohistoquímica negativa para MLH1 e PMS2. Qual é o diagnóstico mais provável associado à predisposição genética nesse paciente? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: predisposição genética ao câncer colorretal por deficiência do sistema de reparo de DNA (mismatch repair, MMR), evidenciada por instabilidade de microssatélites (MSI-H) e perda de MLH1 e PMS2 na imunohistoquímica.

Alternativa correta: D – Síndrome de Lynch

O conjunto de achados aponta para Síndrome de Lynch (HNPCC): tumor do cólon direito com carcinoma mucinoso (fenótipo típico de MSI-H), MSI positiva e perda de MLH1/PMS2 na IHQ (PMS2 dimeriza com MLH1; quando MLH1 está ausente, PMS2 também se perde). A idade jovem (45 anos) e a história familiar em primeiro grau reforçam etiologia hereditária. Em Lynch, costuma-se encontrar BRAF selvagem e ausência de hipermetilação do promotor de MLH1. Diretrizes recomendam testagem universal de MMR/IHQ em CCRs e, quando perda de MLH1/PMS2 é detectada, realizar reflexo para BRAF V600E e/ou metilação de MLH1 para distinguir casos esporádicos (NCCN 2024; UpToDate; Harrison).

Por que as demais estão incorretas?

A – Câncer colorretal esporádico: Pode haver perda de MLH1/PMS2 por hipermetilação do promotor de MLH1, geralmente associada a BRAF V600E+, mais comum em pacientes mais velhos e sem forte história familiar. Aqui, a idade (45 anos), o fenótipo MSI-H, o carcinoma mucinoso e a história familiar favorecem Lynch. Falta evidência de BRAF V600E para sustentar esporádico.

B – Síndrome de Peutz-Jeghers: Polipose hamartomatosa com máculas mucocutâneas, risco elevado de pâncreas, ovário e intestino delgado; não cursa com padrão típico de deficiência de MMR nem com perda MLH1/PMS2.

C – Polipose adenomatosa familiar (FAP): Mutação em APC, caracterizada por centenas a milhares de adenomas desde a adolescência. O cenário é de tumor esporádico único com MMR deficiente, não uma polipose difusa; FAP costuma ser MSS (estável para microssatélites).

E – Síndrome de câncer gástrico difuso hereditário: Mutação em CDH1, cursa com adenocarcinoma gástrico difuso (células em anel de sinete) e carcinoma lobular de mama; não se associa ao padrão clássico de MSI-H por MMR em CCR.

Dicas de prova (pegadinha): perda de MLH1/PMS2 pode ser esporádica por hipermetilação de MLH1. Para diferenciar, pense em idade, história familiar e teste BRAF V600E (positivo sugere esporádico; negativo sugere Lynch). A presença de MSI-H + tumor mucinoso + cólon direito + idade jovem direciona para Lynch.

Condutas associadas (resumo): Em suspeita/diagnóstico de Lynch, indicar aconselhamento genético e testagem germinativa (MLH1/MSH2/MSH6/PMS2/EPCAM). Vigilância com colonoscopia a cada 1–2 anos desde 20–25 anos; avaliar rastreios para endométrio/ovário nas mulheres. Em tumores MSI-H, considerar imunoterapia em doença avançada (p.ex., pembrolizumabe).

Referências: NCCN Guidelines: Genetic/Familial High-Risk Assessment: Colorectal (2024); UpToDate – Lynch syndrome: clinical manifestations and diagnosis; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.

Gabarito: D) Síndrome de Lynch.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo