Vetores virais não replicantes, a exemplo dos adenovírus ge...

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Q3508389 Medicina
Vetores virais não replicantes, a exemplo dos adenovírus geneticamente modificados, têm sido amplamente empregados no desenvolvimento de vacinas modernas contra diversas doenças infecciosas, como covid-19 e Ebola. Esses vetores são projetados para entregar genes que codificam antígenos de interesse diretamente nas células do hospedeiro, sem que ocorra replicação viral. Do ponto de vista imunológico e de biossegurança, essa plataforma apresenta vantagens importantes em relação a outras tecnologias vacinais.

Considerando esses aspectos, assinale a alternativa que descreve uma justificativa técnica para o uso de vetores virais não replicantes no desenvolvimento de vacinas. 
Alternativas

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Tema central: Vetores virais não replicantes (ex.: adenovírus modificados) entregam o gene do antígeno para que células do hospedeiro produzam a proteína-alvo, sem gerar infecção produtiva. Isso promove resposta imune robusta (humoral e celular) com perfil de segurança superior em relação a vírus vivos atenuados.

Alternativa correta (C) – Justificativa: Esses vetores inserem DNA do antígeno nas células, que passam a expressá-lo endogenamente. O antígeno é apresentado em MHC I (ativando linfócitos T CD8+) e em MHC II (ativando CD4+ e resposta de anticorpos), sem replicação viral. A deleção de genes essenciais (p. ex., E1/E3 em adenovírus) impede reprodução, aumentando a biossegurança e reduzindo risco de doença por vacina. Evidências vêm das vacinas contra SARS-CoV-2 e Ebola com vetores Ad26/ChAdOx1. Referências: Plotkin’s Vaccines; UpToDate (Adenoviral vector vaccines); OMS/CDC – plataformas vacinais.

Por que as demais estão incorretas?

A – Fala em “infecção ativa e persistente”. Vetores não replicantes são projetados justamente para não estabelecer infecção produtiva ou persistência. O transgene é expresso transitoriamente; não há mimetismo viral prolongado intencional.

B – Afirma “maior eficácia por via oral”. Não é característica dessa plataforma. A via padrão é intramuscular; aplicações mucosas (p. ex., intranasal) são específicas e ainda em avaliação. Via oral é típica de vacinas vivas como pólio e rotavírus, não de adenovírus não replicantes.

D – Diz que “dispensam cadeia de frio”. Falso. Vacinas adenovirais usualmente exigem 2–8°C. Podem ter logística menos exigente que mRNA ultrafrio, mas não eliminam a cadeia de frio. Ver diretrizes da OMS e fabricantes (ChAdOx1, Ad26).

E – Alega estímulo preferencial apenas de linfócitos B de memória, sem via citotóxica. Pelo contrário: por serem vetores intracelulares, induzem fortemente CD8+ citotóxicos além de anticorpos. Não há base para “redução de autoimunidade” por evitar CD8; segurança decorre da não replicação e do desenho do vetor.

Estratégia de prova: Ao ver “não replicante”, associe: entrega do gene do antígeno, expressão endógena, MHC I/II, resposta humoral + celular e segurança. Desconfie de: “infecção persistente”, “via oral como padrão”, “sem cadeia de frio” e promessas de “evitar autoimunidade”.

Referências essenciais: Plotkin’s Vaccines (cap. sobre vetores virais); UpToDate – Viral vector vaccines; OMS/CDC – COVID-19 vaccine platform overviews; Harrison’s Principles of Internal Medicine – imunização e princípios de vacinas.

Gabarito: C

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