Durante a manipulação laboratorial de vacinas contendo micr...
De acordo com diretrizes do Manual de Biossegurança em Laboratórios, qual dos aspectos a seguir tem impacto direto na definição da classe de risco atribuída à atividade?
Gabarito comentado
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Tema central: avaliação de risco biológico ao manipular vacinas com microrganismos vivos atenuados. A definição da classe de risco (RG1–RG4) baseia-se em características intrínsecas do agente (patogenicidade, via de transmissão, dose infectante, estabilidade genética) e nas práticas de biossegurança requeridas para a atividade. Diferencie: classe de risco (perigo do agente) ≠ nível de biossegurança (BSL; conjunto de barreiras/práticas).
Alternativa correta: B – “A estabilidade genética do microrganismo vacinal e sua capacidade de reverter à forma virulenta”.
Justificativa: A estabilidade genética e a possível reversão à virulência modificam diretamente a patogenicidade e, portanto, o perigo inerente do agente, impactando a classe de risco e as medidas de contenção. Exemplo clássico: vírus poliomielite oral (OPV) pode reverter a neurovirulência (cVDPV), o que exige avaliação de risco mais conservadora e práticas BSL-2 com reforços para manipulação (OMS, Laboratory Biosafety Manual 4ª ed.; CDC/NIH BMBL 6ª ed.).
Análise das alternativas incorretas
A) Tipo de antígeno detectado em soro de animais imunizados avalia imunogenicidade, não o perigo biológico. Não define classe de risco do agente nem a contenção necessária (OMS/BMBL).
C) Cor e consistência da formulação são características físicas da apresentação farmacêutica, sem relação com virulência, infectividade ou transmissibilidade — critérios que fundamentam a classificação de risco.
D) A liofilização é técnica de conservação. Pode influenciar o risco operacional (ex.: aerossóis ao reconstituir) e, portanto, as práticas (cabine de segurança, EPI), mas não altera o perigo intrínseco do agente e não redefine a classe de risco.
E) Temperatura de armazenamento é requisito de cadeia do frio. Não modifica a patogenicidade ou via de transmissão. Quebras de temperatura podem reduzir viabilidade, mas isso não “reclassifica” o agente.
Como pensar em prova: procure termos que descrevam o perigo inerente do agente (virulência, via de transmissão, dose infectante, estabilidade genética, suscetibilidade humana, disponibilidade de profilaxia/tratamento). Desconfie de itens sobre apresentação do produto ou condições de armazenamento — são relevantes para qualidade, não para a classe de risco.
Referências essenciais: OMS – Laboratory Biosafety Manual, 4th ed.; CDC/NIH – Biosafety in Microbiological and Biomedical Laboratories (BMBL), 6th ed.; Ministério da Saúde/ANVISA – documentos de biossegurança em laboratórios (alinhados à OMS/BMBL).
Mantenha o foco no que altera o perigo do agente. Isso costuma direcionar para a alternativa correta.
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