O uso de fluoretos constitui uma das principais estratégias...
Com base no “Guia de Recomendações para o Uso de Fluoretos no Brasil” (Ministério da Saúde, 2024), assinale a alternativa CORRETA:
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: prevenção da cárie com fluoretos em saúde pública, equilibrando eficácia e segurança, especialmente na infância (absorção sistêmica e risco de fluorose).
Alternativa correta: A — A fluoretação da água em ~0,7 mg/L tem alto perfil de segurança e efetividade populacional. A dose tóxica provável é ≈ 5 mg F/kg; para uma criança de 15 kg, seriam ≈75 mg de F. Em água com 0,7 mg/L, isso exigiria >100 L ingeridos de uma vez — inviável. Portanto, a estratégia é segura e custo-efetiva, reduzindo cárie em 20–40% em nível populacional (Ministério da Saúde, Guia 2024; CDC/PHS 2015; OMS/WHO).
Estratégia de prova: desconfie de termos como “indiscriminadamente”, “exclusivamente” e “insignificante” ao tratar de risco/benefício. Em crianças, atenção a ingestão, capacidade de cuspir e fase de odontogênese.
Análise das incorretas:
B — Afirma que a ingestão de dentifrício por crianças “não representa risco” por absorção limitada. Incorreto. O flúor é absorvido no TGI em ~80–90%. A ingestão habitual durante a amelogênese aumenta risco de fluorose dentária (MS 2024; ADA/WHO). Ex.: 0,25 g de creme dental 1000 ppm ≈ 0,25 mg F; ingestão repetida eleva a exposição.
C — Defende uso indiscriminado de gel profissional em todas as idades. Errado. Géis/espumas (1,23% APF ou 2% NaF) têm alta carga de flúor e maior risco de deglutição em pré-escolares. Diretrizes recomendam verniz fluoretado como primeira escolha em crianças pequenas e uso de gel apenas quando há capacidade de expectorar e risco de cárie moderado/alto (MS 2024; ADA 2013/2023).
D — Atribui a fluorose “exclusivamente” ao uso tópico pós-eruptivo. Falso. Fluorose resulta de excesso sistêmico durante a formação do esmalte (odontogênese), alterando a função dos ameloblastos e a mineralização. Uso tópico após erupção não causa fluorose (MS 2024; WHO).
E — Reconhece supervisão e pequena quantidade de dentifrício, mas minimiza que a ingestão frequente cause fluorose. Incorreto. A exposição repetida em crianças interfere no risco de fluorose. Recomenda-se: até 3 anos, “fina lambuzada” (grão de arroz); 3–6 anos, “ervilha”; sempre 1000–1450 ppm, supervisão e evitar deglutição (MS 2024; ADA).
Referências essenciais: Ministério da Saúde. Guia de Recomendações para o Uso de Fluoretos no Brasil, 2024; CDC/PHS 2015 (0,7 mg/L); WHO Oral Health documents; ADA Guidelines on Topical Fluoride.
Dica prática: em políticas públicas, privilegie intervenções universais, seguras e custo-efetivas (água fluoretada) e, em crianças, controle a dose ingerida de dentifrício e escolha verniz quando apropriado.
Gabarito: A
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
• A) CORRETA: Na maior parte do território brasileiro, o teor ideal de flúor na água é de 0,7 mg/L (ou 0,7 ppm). O guia afirma que a toxicidade aguda (Dose Provavelmente Tóxica) ocorre apenas com a ingestão de 5,0 mg F por quilo de peso corporal, o que exigiria o consumo de volumes impraticáveis de água fluoretada para ser atingido. Assim, a medida é considerada segura, barata e de grande efetividade para a saúde pública.
• B) INCORRETA: O guia ressalta que crianças em idade pré-escolar ingerem involuntária e sistematicamente certa quantidade de dentifrício durante a escovação. Diferente do que afirma a alternativa, essa ingestão constitui um fator de risco importante para o desenvolvimento de fluorose dentária, e não um risco irrelevante.
• C) INCORRETA: A aplicação de gel fluoretado não pode ser realizada de forma indiscriminada. O documento alerta para a necessidade de supervisão rigorosa, especialmente em crianças pré-escolares, devido ao risco real de ingestão do produto durante o procedimento.
• D) INCORRETA: A fluorose dentária é definida como o resultado da ingestão crônica de flúor durante o desenvolvimento dental (odontogênese), manifestando-se antes da erupção dos dentes no meio bucal. O período crítico de exposição vai do nascimento até os oito anos de idade. Portanto, a ingestão durante a formação dos dentes é o fator determinante, e não irrelevante.
• E) INCORRETA: Embora o uso deva ser acompanhado por adultos e em pequenas quantidades, a afirmação de que a ingestão frequente "não interfere no desenvolvimento da fluorose" está errada. O guia aponta o uso precoce e a ingestão de dentifrício fluoretado como um dos principais fatores de risco para a fluorose em crianças.
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo