Durante auditoria sanitária em uma Unidade Básica de Saúde,...
Considerando as boas práticas de esterilização e os critérios para avaliação da eficácia do processo em autoclaves, analise as assertivas abaixo:
I. A umidade presente nas embalagens após o ciclo indica falha no processo e pode comprometer a esterilidade dos materiais.
II. A sobrecarga da câmara da autoclave pode interferir na circulação do vapor e comprometer a eficácia da esterilização.
III. Os indicadores biológicos devem ser utilizados semanalmente como parâmetro de validação do ciclo de esterilização.
IV. A verificação da temperatura registrada no painel da autoclave é suficiente para comprovar a eficácia do processo, dispensando o uso de indicadores.
Assinale a alternativa CORRETA:
Gabarito comentado
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Gabarito: A — Apenas as assertivas I, II e III estão corretas.
Tema central: Boas práticas e validação da esterilização em autoclaves. Em biossegurança, a eficácia do processo não é garantida apenas por temperatura do painel; exige monitoramento físico, químico e biológico, além de carregamento e secagem adequados.
Justificativa das assertivas
- I — Verdadeira: Embalagem úmida (“wet pack”) indica falha de secagem e perda de barreira estéril; considera-se material não estéril e deve ser reprocessado. Causas comuns: sobrecarga, ciclo inadequado, falha de secagem ou embalagem excessiva. Referências: CDC Guideline for Disinfection and Sterilization (2008, atualização web), ANVISA RDC 15/2012; SOBECC 7ª ed.
- II — Verdadeira: Sobrecarga impede a circulação/penetração do vapor e forma “pontos frios”, comprometendo o alcance de temperatura, pressão e tempo no interior dos pacotes. AAMI ST79 e ANVISA ressaltam carregamento com espaçamento e não encostar pacotes nas paredes.
- III — Verdadeira: Indicadores biológicos (IB) devem ser usados pelo menos semanalmente e em toda carga com implantes, com registros e rastreabilidade. Eles são o padrão-ouro para confirmar a morte de esporos. Fontes: CDC; ANVISA RDC 15/2012; SOBECC; AAMI ST79.
- IV — Falsa: Leitura do painel não comprova eficácia no interior da carga. Monitoramento físico não substitui indicadores químicos (classe 1 no externo, classe 4–6/Integrador no interno) e biológicos. Cada ciclo deve ter indicadores químicos; IB conforme rotina. CDC/ANVISA/AAMI.
Raciocínio para a prova: Palavras-chave do enunciado (“embalagens úmidas”, “autoclave sempre cheia”, “sem registros de IB”, “apenas temperatura no painel”) apontam diretamente para falhas de secagem, carga excessiva e monitorização inadequada. Isso valida I, II, III e invalida IV.
Análise das alternativas
- A (correta): Condensa o conjunto de boas práticas: I (wet pack = falha), II (sobrecarga = ineficácia), III (IB semanal).
- B: Inclui IV, que é falsa (painel não dispensa indicadores).
- C: Falta a II e a III, ambas verdadeiras e essenciais ao controle do processo.
- D: Inclui IV (falsa). Indicadores são indispensáveis.
- E: Todas não podem ser corretas por causa da IV.
Pontos práticos: - “Wet pack” = reprocessar; investigar sobrecarga, ciclo e embalagem. - Usar sempre indicadores químicos externos e internos; registrar IB semanal e em cargas com implantes. - Nunca confiar apenas no painel: ele mede a câmara, não o interior dos pacotes.
Referências resumidas: CDC (Guideline for Disinfection and Sterilization in Healthcare Facilities); ANVISA RDC 15/2012; SOBECC 7ª ed.; AAMI ST79.
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