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Ano: 2026 Banca: UFLA Órgão: UFLA Prova: UFLA - 2026 - UFLA - Médico/Pneumologista |
Q4071693 Medicina
Suponha a seguinte situação fictícia:
Você avalia no ambulatório um paciente de 30 anos de idade, tabagista desde os 18 anos. Há 5 anos tem episódios de sibilância e infecção respiratória recorrentes. Vem para a consulta com uma tomografia de tórax, solicitada pelo colega que encaminhou com bronquiectasias. Está em uso de corticóide inalatório.
Durante a consulta, ao perguntar de doenças anteriores, o paciente refere que a mãe conta que ele teve icterícia colestática prolongada, que iniciou ao nascer e que fez um acompanhamento com o pediatra até os 2 anos de idade, devido a transaminases elevadas que melhoraram espontaneamente.

Diante do caso exposto, assinale a alternativa CORRETA
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer que bronquiectasias e sintomas respiratórios recorrentes em adulto jovem, quando associados a antecedente de icterícia colestática neonatal prolongada com transaminases elevadas, configuram suspeita de deficiência de alfa-1 antitripsina; isso orienta a investigação com dosagem sérica da proteína.

Tema central: Deficiência de alfa-1 antitripsina
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a deficiência de alfa-1 antitripsina pode se manifestar na infância com colestase/hepatopatia neonatal e, depois, com doença pulmonar precoce no adulto, incluindo bronquiectasias. O enunciado traz exatamente essa associação sindrômica: antecedente hepático neonatal compatível e doença respiratória estrutural em paciente jovem. Nesse contexto, a dosagem de alfa-1 antitripsina é a investigação etiológica coerente.
B
Errada
IgE e fração exalada de óxido nítrico servem para avaliar fenótipo alérgico/eosinofílico de asma. O problema é que esses exames não explicam a combinação de bronquiectasias com colestase neonatal prévia. A sibilância isoladamente não define asma eosinofílica, e o uso de corticoide inalatório não confirma esse diagnóstico. O enunciado exige reconhecer uma etiologia sistêmica hereditária, não apenas fenotipar inflamação de via aérea.
C
Errada
Tiotrópio é medida terapêutica para cenários específicos de doença obstrutiva, mas a questão não pede escalonamento empírico de tratamento inalatório. O dado decisivo é a necessidade de esclarecer a causa de base das bronquiectasias em um jovem com pista hepática neonatal típica. Iniciar broncodilatador nesse ponto não responde ao problema etiológico central do caso.
D
Errada
O esquema com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol exige suspeita ou diagnóstico de tuberculose ativa. O enunciado não fornece elementos clínicos ou contextuais que sustentem tuberculose; ao contrário, a associação entre bronquiectasias e antecedente de hepatopatia neonatal aponta para outra etiologia. Além de inadequado tecnicamente, iniciar RIPE sem base diagnóstica introduz tratamento potencialmente lesivo.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar o raciocínio para asma ou DPOC por causa da sibilância, do tabagismo e do uso de corticoide inalatório, mas o dado que realmente decide é a história de colestase neonatal associada à doença pulmonar crônica em adulto jovem.
Dica para questões semelhantes
  • Em bronquiectasias em paciente jovem, procure causa de base em vez de assumir apenas doença obstrutiva comum.
  • Quando houver antecedente hepático neonatal junto de doença pulmonar crônica, pense em etiologia genética/sistêmica.
  • Sibilância não basta para concluir asma eosinofílica se o restante do quadro aponta para doença estrutural pulmonar.
  • Evite escolher alternativa terapêutica quando o enunciado oferece uma pista forte de investigação etiológica específica.

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