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Ano: 2026 Banca: UFLA Órgão: UFLA Prova: UFLA - 2026 - UFLA - Médico/Pneumologista |
Q4071691 Medicina
Suponha a seguinte situação fictícia:
Você acompanha no ambulatório um adolescente de 16 anos, portador de asma desde a infância. Teve 2 internações nos últimos 6 meses e há 1 mês precisou ficar em ventilação mecânica na UTI devido a asma. Desde antes da internação estava em uso de Corticóide inalado em dose alta, beta 2 agonista de longa duração, e tiotrópio. Desde a alta da UTI há 1 mês, não consegue mais retirar o corticóide oral. A técnica inalatória está correta e o paciente tem boa adesão ao tratamento. Já foram descartadas comorbidades (sinusite, refluxo, disfunção de cordas vocais), não é tabagista e não tem exposição a agentes que possam piorar a asma. Nos últimos exames antes da internação, tinha eosinófilos 250 /microL e fração exalada de óxido nítrico de 25 ppb.

Diante do caso exposto, assinale a alternativa que contém a alternativa CORRETA para o tratamento desse paciente: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso caracteriza asma grave não controlada apesar de tratamento inalatório máximo e dependência de corticoide oral: já havia CI em alta dose + LABA + tiotrópio, com técnica correta, boa adesão, comorbidades e fatores agravantes descartados, além de exacerbações graves recentes. Nesse cenário, o próximo passo é escalonar para terapia biológica poupadora de corticoide, o que torna a alternativa A a correta.

Tema central: Asma grave refratária
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o paciente já ultrapassou a etapa de otimização do tratamento convencional: usa terapia inalatória de alta intensidade, teve exacerbações graves com UTI e ventilação mecânica, e permanece dependente de corticoide oral. Nesse cenário, o próximo passo coerente é adicionar imunomodulador biológico conforme fenótipo, justamente para tratar a asma grave não controlada e reduzir a necessidade de corticoide sistêmico. Os valores de eosinófilos e FeNO não definem qual agente específico usar, mas não mudam a conclusão de que a classe terapêutica indicada é biológico.
B
Errada
Dobrar a dose de corticoide oral está errado porque o paciente já é dependente de corticoide sistêmico, e a lógica do manejo nesse ponto é buscar estratégia poupadora de corticoide, não ampliar a exposição sistêmica. Além de aumentar toxicidade, essa conduta não representa o escalonamento preferencial no controle crônico da asma grave após falha de tratamento otimizado.
C
Errada
Dobrar a dose de corticoide inalado está errado porque o enunciado já informa uso de corticoide inalado em dose alta. Quando há persistência de asma grave e dependência de corticoide oral mesmo nesse patamar, aumentar ainda mais o CI não é o próximo passo racional, pois o ganho clínico incremental tende a ser baixo e o caso já caracteriza falha do tratamento inalatório máximo.
D
Errada
Iniciar aminofilina está errado porque metilxantina não é o escalonamento indicado na asma grave ambulatorial após falha de CI em alta dose + LABA + tiotrópio. Seu papel é muito limitado, com eficácia inferior e perfil de segurança desfavorável, enquanto o manejo atual desse cenário prioriza terapia biológica conforme o fenótipo.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar o raciocínio para os biomarcadores e para a gravidade recente, como se fosse necessário escolher um biológico específico ou simplesmente aumentar corticoide. Mas o dado decisivo é outro: asma grave real já otimizada, com dependência de corticoide oral, o que define a necessidade de terapia biológica como próxima classe terapêutica.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão disser que técnica, adesão, comorbidades e exposições já foram checadas, trate a falha terapêutica como real e pense em escalonamento verdadeiro.
  • Asma que só se mantém com corticoide sistêmico, ou segue não controlada apesar de CI alta dose + LABA com ou sem tiotrópio, entra no raciocínio de asma grave.
  • Em asma grave dependente de corticoide oral, o próximo passo não é perpetuar ou ampliar esteroide sistêmico, e sim considerar terapia biológica poupadora de corticoide.
  • Quando a questão pede a classe terapêutica, biomarcadores intermediários podem não servir para escolher o agente, mas ainda sustentam o passo de indicar biológico.

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