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Ano: 2026 Banca: UFLA Órgão: UFLA Prova: UFLA - 2026 - UFLA - Médico/Pneumologista |
Q4071689 Medicina
Suponha a seguinte situação fictícia:
Você atende pela primeira vez um paciente adulto, de 18 anos, sexo masculino, com história de vários episódios de broncoespasmo durante toda a vida. Era acompanhado pelo pediatra até poucos meses atrás e era tratado com corticoide inalatório. Pelo histórico do paciente, ele foi um bebê prematuro ao nascer. Nasceu com 27 semanas de idade gestacional, ficou em ventilação mecânica invasiva por 42 dias e teve alta da UTI neonatal ainda em uso de oxigênio, que só conseguiu ser suspenso após os 4 meses de vida.

Diante do caso exposto, assinale a alternativa CORRETA
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso descreve prematuridade extrema com ventilação mecânica prolongada e oxigênio por meses, contexto compatível com displasia broncopulmonar, que pode persistir na vida adulta e cursar com limitação crônica ao fluxo aéreo; por isso, a alternativa correta é a que indica avaliação funcional pulmonar e reconhece essa persistência.

Tema central: Broncodisplasia na vida adulta
Análise das alternativas
A
Errada
Erra ao afirmar que é esperado haver melhora com a chegada da vida adulta e o final da alveolização. O desenvolvimento pulmonar tardio não garante normalização de um pulmão previamente lesado pela prematuridade extrema, ventilação mecânica prolongada e oxigenoterapia prolongada. Na broncodisplasia, a sequela estrutural e funcional pode persistir; portanto, tranquilizar com expectativa de melhora natural contradiz o critério médico decisivo da questão.
B
Errada
Está incorreta porque dispensa exames de função pulmonar justamente no cenário em que eles são necessários. Sibilância recorrente nesse paciente não deve ser presumida como asma isolada, já que o antecedente neonatal aponta para sequela pulmonar da prematuridade. Manter corticoide inalado e SABA sem caracterização funcional reduz indevidamente o quadro a manejo empírico de asma e ignora a necessidade de documentar o padrão obstrutivo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reconhece o diagnóstico de base sugerido pelo histórico neonatal e sua repercussão tardia. Em sobreviventes de prematuridade extrema com broncodisplasia, pode haver obstrução fixa ou parcialmente reversível, hiper-reatividade brônquica e trajetória funcional persistente na adolescência e vida adulta. Nesse contexto, a espirometria é necessária para documentar o padrão funcional e orientar acompanhamento individualizado. A menção a padrão similar ao de DPOC está correta no sentido funcional, não etiológico.
D
Errada
Erra por dois motivos médicos concretos: dispensa inadequadamente a avaliação funcional pulmonar e presume como essencial um esquema terapêutico de asma apenas por o paciente ter atingido a vida adulta. A idade adulta não define, por si só, o tratamento; antes, é preciso caracterizar a doença de base, porque o caso sugere broncodisplasia persistente e não asma comum obrigatoriamente. Aplicar automaticamente estratégia com formoterol sem documentar a função pulmonar confunde sequela estrutural da prematuridade com algoritmo de asma.
Pegadinha da questão
A banca induz o candidato a focar na palavra broncoespasmo e escolher alternativas centradas em asma, mas o dado que realmente decide é o histórico neonatal típico de broncodisplasia; além disso, a alternativa A mistura o acerto da espirometria com o erro de prometer melhora esperada na vida adulta.
Dica para questões semelhantes
  • Em paciente com prematuridade extrema, ventilação mecânica prolongada e oxigênio por meses, pense primeiro em sequela pulmonar da prematuridade antes de rotular como asma isolada.
  • Quando a questão sugere doença obstrutiva crônica ou sequela funcional, a espirometria costuma ser etapa necessária para documentar padrão e gravidade.
  • Semelhança com DPOC, nesse contexto, significa padrão funcional obstrutivo persistente, não identidade etiológica com DPOC tabagística.

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