Suponha a seguinte situação fictícia. Mulher de 48 anos, ob...

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Ano: 2026 Banca: UFLA Órgão: UFLA Prova: UFLA - 2026 - UFLA - Médico/Pneumologista |
Q4071687 Medicina
Suponha a seguinte situação fictícia.
Mulher de 48 anos, obesa com índice de massa corporal 34, direcionada pela regulação à pneumologia com queixa de "falta de ar noturna". Na anamnese, roncos intensos relatados pelo marido, menção a episódios de apneia com despertares súbitos e queixa de fadiga diurna. Sem dispneia diurna. Exame físico sem alterações dignas de nota. Sons respiratórios normais, sem sibilos. Eupneica, FR: 16 irpm. Tolera bem decúbito dorsal. Escala de Epworth 12 de 24.

Considerando a principal hipótese diagnóstica nessa consulta de pneumologia ambulatorial, a conduta apropriada, no âmbito da rede SUS, é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é que a suspeita clínica de SAOS, embora forte, não se converte em indicação imediata de CPAP, cirurgia ou medicação quando a paciente está estável, sem dispneia diurna, com exame respiratório normal e sem sinais de gravidade respiratória; por isso, no SUS, a melhor resposta é manejo conservador e seguimento na rede.

Tema central: Suspeita de SAOS
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a paciente tem alta suspeita clínica de SAOS, mas sem confirmação diagnóstica prévia e sem elementos de urgência. O quadro é compatível com abordagem ambulatorial escalonada, com medidas iniciais como perda de peso, higiene do sono e organização da propedêutica complementar pela rede. Não há base para iniciar CPAP, indicar cirurgia ou usar estimulante de vigília como conduta principal.
B
Errada
Está errada porque antecipa tratamento específico sem confirmação diagnóstica e ainda propõe cirurgia como passo inicial. CPAP é tratamento padrão da SAOS quando há indicação após avaliação diagnóstica/estratificação adequada; não é a conduta inicial apropriada apenas com suspeita clínica em ambulatório geral. O encaminhamento para uvulopalatoplastia é ainda menos justificável, porque cirurgia de via aérea superior não é abordagem inicial rotineira para um caso apenas suspeito.
C
Errada
Está errada porque modafinila não trata o mecanismo da SAOS, que é a obstrução recorrente da via aérea superior durante o sono. Seu papel, quando considerado, é adjuvante em sonolência residual após tratamento etiológico adequado em casos selecionados, não como primeira linha em paciente ainda não tratada. Prescrevê-lo aqui mascara sintoma sem corrigir a causa e desvia da conduta correta.
D
Errada
Está errada porque não há sinais de gravidade respiratória ou de insuficiência ventilatória que justifiquem encaminhamento prioritário a serviço terciário. Além disso, a oximetria noturna isolada é limitada para confirmar e estratificar adequadamente a SAOS, de modo que não deve ser o eixo principal da conduta nesse cenário estável.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre alta probabilidade clínica de SAOS e diagnóstico confirmado com indicação imediata de terapia especializada. Epworth 12, ronco e apneia presenciada aumentam a suspeita, mas não eliminam a necessidade de fluxo ambulatorial escalonado quando não há sinais de gravidade.
Dica para questões semelhantes
  • Separe suspeita clínica forte de diagnóstico confirmado: ronco, obesidade, apneias presenciadas e sonolência apontam SAOS, mas não autorizam automaticamente CPAP ou cirurgia.
  • Antes de escolher conduta especializada, procure sinais de gravidade respiratória; se o exame é normal e a paciente está estável, o manejo inicial conservador ganha força.
  • Não aceite promotor de vigília como tratamento principal de SAOS suspeita; ele não corrige a obstrução da via aérea.
  • Quando a questão enfatiza fluxo no SUS e ausência de urgência, pense em cuidado escalonado com medidas comportamentais e propedêutica organizada pela rede.

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