Considere as definições usuais: (i) resultado primário é a d...

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Q3881484 Economia
Considere as definições usuais: (i) resultado primário é a diferença entre receitas e despesas primárias (isto é, antes do pagamento de juros), e (ii) o déficit nominal incorpora, além do resultado primário, os juros incidentes sobre a dívida. Considere também o “teto de gastos” introduzido pela EC nº 95/2016, que estabeleceu limites para as despesas primárias e determinou que, a partir de 2018, o limite anual é o do ano anterior corrigido pela variação do IPCA (12 meses encerrados em junho do ano anterior). Suponha que, após a adoção do teto, a despesa primária nominal cresça exatamente conforme a regra do IPCA e que a receita do governo permaneça uma fração constante do PIB nominal. Nesse contexto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

Comentários

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A (Correta): A despesa primária como proporção do PIB tende a cair ao longo do tempo se houver crescimento real positivo...

  • Por que: O Teto (EC 95) corrigia o gasto apenas pela inflação (IPCA). Se o PIB nominal cresce (inflação + crescimento real), o denominador da fração  aumenta mais rápido que o numerador. Logo, o gasto "encolhe" em relação ao tamanho da economia, abrindo espaço para melhorar o resultado primário.

B (Incorreta): O teto de gastos limita as despesas primárias e o pagamento de juros...

  • Por que: O Teto limitava apenas as despesas primárias. O pagamento de juros (despesa financeira) ficava fora do teto. Por isso, a trajetória da dívida continuava dependendo da taxa de juros.

C (Incorreta): Um déficit primário pode coexistir com superávit nominal mesmo com juros nominais positivos...

  • Por que: Impossível. O Resultado Nominal é Resultado Primário - Juros . Se você já tem um déficit primário (negativo) e subtrai juros (positivos), o resultado nominal será ainda mais negativo (déficit nominal). O teto não "compensa" juros.

D (Incorreta): Para estabilizar a razão dívida/PIB, é necessário que o superávit primário seja igual à taxa nominal de juros...

  • Por que: A fórmula de estabilização da dívida envolve o diferencial entre a taxa de juros (
  • ) e o crescimento do PIB (
  • ). Não basta ser igual à taxa de juros; o superávit necessário depende do estoque da dívida e de quanto a economia cresce.

E (Incorreta): O teto de gastos é equivalente a fixar um superávit primário constante como proporção do PIB...

  • Por que: O Teto fixa um limite de gasto, não um resultado. O superávit primário depende da arrecadação. Se a arrecadação cair (recessão), o superávit diminui, mesmo com o gasto travado no teto.

O pulo do gato: Eles tentam te convencer de que "congelar" o gasto (corrigir só pelo IPCA) significa manter o gasto constante na economia.

  • Falso: Se a economia cresce acima da inflação, o gasto "congelado" na verdade está diminuindo como proporção do PIB.

Lembre-se: Para a FGV, o Teto de Gastos era um mecanismo de redução do tamanho do Estado no PIB, e não apenas um controle de inflação.

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