Um paciente com trinta e oito anos de idade, hígido, deu en...
Um paciente com trinta e oito anos de idade, hígido, deu entrada no pronto-socorro com dor no corpo, cefaleia e mal-estar. A aferição dos sinais vitais revelou PA de 240 mmHg × 122 mmHg.
Com referência a esse achado, assinale a opção correta.Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda crise hipertensiva, tópico fundamental em Medicina de Urgência. Ela exige saber diferenciar urgência de emergência hipertensiva e reconhecer que a gravidade depende da lesão aguda de órgãos-alvo (LOA), não apenas do valor numérico da pressão arterial.
Justificativa da alternativa correta (A): De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, a definição de emergência hipertensiva envolve a presença de LOA aguda, comumente em pacientes com pressão diastólica > 120 mmHg. A manifestação clínica depende do órgão envolvido — como cérebro, coração, rim ou retina (ex: AVC, IAM, insuficiência renal) — e não apenas do número absoluto da PA. O trecho: “As manifestações clínicas das emergências hipertensivas dependem do grau de disfunção dos órgãos-alvo, sendo incomum com pressão arterial diastólica inferior a 130 mm Hg.” está de acordo com protocolos nacionais.
Comentário sobre as alternativas incorretas:
B) Incorreta: Redução abrupta da PA pode ser perigosa e provocar isquemia de órgãos. As diretrizes orientam redução gradual até níveis seguros (por ex: PA diastólica em torno de 100-110 mmHg nas primeiras horas), jamais voltar rapidamente ao “normal”.
C) Incorreta: Os sintomas apresentados (dor no corpo, cefaleia, mal-estar) são inespecíficos e não caracterizam encefalopatia hipertensiva, que cursa com confusão mental, agitação, déficits neurológicos e convulsões. O quadro não justifica esse diagnóstico imediato.
D) Incorreta: Não se deve assumir cronicidade da hipertensão sem história compatível. Pressões tão elevadas podem causar grave dano mesmo em aparentemente assintomáticos, exigindo avaliação imediata.
E) Parcial: Embora defina bem os valores de PA, a emergência hipertensiva requer presença de LOA aguda. Não é o valor isolado que define o quadro, mas sim a lesão e risco imediato à vida.
Pegadinhas: Atenção à diferença entre números absolutos de PA e lesão de órgão-alvo. Sempre procure elementos do quadro clínico que sugiram LOA.
Referência: Segundo o PCDT da Hipertensão Arterial Sistêmica, p. 39: “As emergências hipertensivas não são definidas pelo nível de elevação da PA, mas pela presença de disfunção aguda de órgãos-alvo.”
Dica para prova: Em crise hipertensiva, avalie sempre sintomas e sinais de LOA antes de propor condutas rápidas. Ler com atenção o enunciado evita erros por excesso de confiança nos “números” da pressão!
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alternativa correta: A. As manifestações clínicas das emergências hipertensivas dependem do grau de disfunção dos órgãos alvo, sendo incomum com pressão arterial diastólica inferior a 130 mmHg.
justificativa
A alternativa A está correta porque, em emergências hipertensivas, a pressão diastólica costuma ser muito alta, frequentemente superior a 130 mmHg, o que resulta em complicações graves devido ao comprometimento dos órgãos-alvo. A pressão arterial diastólica inferior a 130 mmHg não é comum em situações de emergência hipertensiva, e as manifestações clínicas geralmente dependem da presença de disfunção de órgãos-alvo, como o cérebro (encefalopatia hipertensiva), coração (infarto do miocárdio) e rins (insuficiência renal aguda).
análise das demais alternativas
B: Nesse caso, é recomendável a rápida redução da PA a valores considerados normais.
A redução da pressão arterial deve ser gradual em emergências hipertensivas para evitar complicações como hipoperfusão cerebral. Não se deve reduzir a pressão arterial para valores normais de imediato, pois isso pode comprometer a perfusão dos órgãos.
C: Pelos sintomas apresentados, deve-se pensar no diagnóstico de encefalopatia hipertensiva, pois, se não tratada de imediato, pode evoluir para edema cerebral, coma e morte.
Embora a encefalopatia hipertensiva seja uma complicação de emergência hipertensiva, os sintomas descritos (dor no corpo, cefaleia e mal-estar) não são específicos o suficiente para se concluir de imediato que se trata dessa condição. A avaliação clínica detalhada é necessária.
D: O paciente deve ser hipertenso crônico e tem mais facilidade para suportar níveis pressóricos elevados. Assim, seu quadro clínico pode aguardar avaliação e tratamento ambulatorial.
Mesmo pacientes com hipertensão crônica não devem aguardar avaliação ambulatorial em quadros de emergência hipertensiva. A pressão extremamente alta deve ser tratada de imediato em ambiente hospitalar.
E: O quadro é de uma verdadeira emergência hipertensiva, pois a PA sistólica está acima de 180 mmHg, e a pressão arterial diastólica está acima de 120 mmHg. Isso pode produzir uma variedade de doenças agudas, complicações potencialmente fatais.
Embora a afirmação de que a pressão arterial extremamente elevada pode causar complicações seja verdadeira, a alternativa A é mais precisa ao indicar que as emergências hipertensivas tipicamente envolvem níveis de pressão diastólica acima de 130 mmHg.
resumo:
A alternativa A destaca corretamente que as emergências hipertensivas geralmente ocorrem com pressão diastólica acima de 130 mmHg, e os sintomas dependem do grau de dano aos órgãos-alvo.
pontos chave
- Emergência hipertensiva envolve níveis extremamente elevados de pressão arterial, geralmente com diastólica superior a 130 mmHg.
- Comprometimento de órgãos-alvo é a causa das manifestações clínicas nas emergências hipertensivas.
- Tratamento imediato é necessário para evitar danos irreversíveis aos órgãos.
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