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Q4332169 Psicologia
A Terapia Breve, em suas diferentes vertentes, privilegia intervenções focalizadas e temporalmente delimitadas. Contudo, sua indicação clínica não se baseia apenas na duração do tratamento, mas também na natureza da demanda. É mais coerente indicar essa modalidade quando:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Como o enunciado ressalta que a indicação depende da natureza da demanda, o critério decisório é a possibilidade de estabelecer um foco e objetivos compatíveis com os recursos do paciente, o que favorece B.

Tema central: Indicação clínica da terapia breve
Análise das alternativas
A
Errada
O comprometimento grave e a baixa capacidade reflexiva não são, por si, condições favoráveis ao trabalho focal proposto; exigem adequação dos objetivos e do manejo aos recursos disponíveis. Isso não significa contraindicação absoluta de toda intervenção breve para esses pacientes.
B
Certa
Em B, a delimitação do problema permite selecionar o foco e planejar objetivos terapêuticos, enquanto os recursos relativamente preservados favorecem o trabalho proposto. O sofrimento significativo não invalida essa indicação: o critério não é atender apenas sofrimento leve, mas ajustar os objetivos às possibilidades do paciente.
C
Errada
O erro decisivo está em afirmar que não há delimitação possível: sem estabelecer um foco, fica inviabilizado o planejamento focal da intervenção. A presença de múltiplas queixas, isoladamente, não excluiria a modalidade.
D
Errada
A exigência de neutralidade absoluta e atenção flutuante como condições para definir o foco não corresponde ao planejamento focal, que admite participação mais ativa e atenção seletiva do terapeuta. O caráter latente da demanda não é, por si, o problema.
E
Errada
A reconstrução profunda da história subjetiva, tomada como objetivo principal abrangente, não corresponde à delimitação de foco e objetivos que sustenta a indicação apresentada. Isso não significa que intervenções breves estejam impedidas de abordar a história subjetiva ou produzir mudanças profundas.
Pegadinha da questão
Confundir sofrimento significativo com comprometimento estrutural grave e aceitar a linguagem técnica de D sem examinar a exigência de neutralidade absoluta. Em C, o obstáculo é a impossibilidade de delimitar o foco, não a simples multiplicidade de queixas.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a demanda permite estabelecer um foco e objetivos compatíveis com os recursos do paciente; a duração isolada não decide a indicação.
  • Diferencie intensidade do sofrimento de disponibilidade de recursos adaptativos: sofrimento significativo não exclui, por si, uma intervenção breve.
  • Examine os termos decisivos: impossibilidade de delimitação, exigências técnicas absolutas e objetivos abrangentes podem contrariar o planejamento focal.
  • Trate esse perfil como favorável à indicação, não como requisito universal de todas as vertentes nem como substituto da avaliação clínica.

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Comentários

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A alternativa CORRETA é a B.

A indicação da Psicoterapia Breve fundamenta-se na capacidade de resposta do paciente ao modelo focalizado e de tempo delimitado. A indicação clínica é especialmente adequada e mais coerente quando:

  • Existe uma situação-problema ou conflito delimitado/circunscrito (um evento estressante, luto, transição de vida, crise situacional ou sintoma focal).
  • O paciente possui recursos adaptativos e egoicos relativamente preservados (boa capacidade de estabelecer aliança terapêutica, motivação para mudança, capacidade de insight/reflexão e de tolerância à ansiedade e frustração).

Incorretas

  • A (INCORRETA): Estruturas gravemente comprometidas (ex.: quadros psicóticos sem estabilização ou perversões graves) e baixa capacidade reflexiva complicam a adesão ao modelo focal/expressivo de psicoterapia breve, sendo indicadas intervenções de apoio e contenção ou acompanhamentos contínuos de longo prazo.
  • C (INCORRETA): Uma demanda excessivamente difusa sem possibilidade de delimitação dificulta ou contraindica o estabelecimento de um foco operacional, exigindo antes uma fase diagnóstica/preparatória mais longa.
  • D (INCORRETA): A neutralidade absoluta e a atenção flutuante são posturas típicas da Psicanálise clássica tradicional. Na Psicoterapia Breve, a postura do terapeuta é ativa, diretiva e de atenção e interpretação seletivas.
  • E (INCORRETA): A reconstrução profunda e global da história subjetiva/personalidade é objetivo da psicanálise de tempo indeterminado. A Psicoterapia Breve busca a resolução ou reorganização diante de conflitos específicos e focalizados.

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