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Q3884352 Medicina
O tratamento do diabetes mellitus tipo 2 tem evoluído e cada vez mais vem apresentando características relacionadas ao perfil clínico individual. Considere o caso de um paciente com 66anos, com risco cardiovascular muito alto, sem sobrepeso e sem obesidade, recém-diagnosticado com diabetes mellitus tipo 2 e ainda sem uso de nenhum medicamento, com hemoglobina glicada de 7.2%. De acordo com a Diretriz Brasileira de Diabetes, a melhor conduta medicamentosa para o paciente é
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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, na recomendação R16, adultos com DM2 e risco cardiovascular alto ou muito alto devem iniciar iSGLT2 ou AR GLP-1 com benefício cardiovascular comprovado, independentemente da HbA1c. Como o enunciado traz risco cardiovascular muito alto e HbA1c de 7,2%, a escolha entre as alternativas deve privilegiar uma classe com benefício cardiovascular; entre as opções dadas, isso corresponde a inibidor de SGLT-2 em monoterapia.

Tema central: Terapia inicial no DM2
Análise das alternativas
A
Errada
Metformina isolada não é a melhor resposta porque a diretriz restringe essa lógica de início baseada em HbA1c de 6,5% a 7,5% ao recém-diagnosticado assintomático com risco cardiovascular baixo ou intermediário e sem doença cardiorrenal, conforme R3. Aqui o dado decisivo do enunciado é risco cardiovascular muito alto, situação em que a prioridade muda para iSGLT2 ou AR GLP-1 com benefício cardiovascular comprovado.
B
Certa
A alternativa B reproduz a recomendação diretriz-específica aplicável ao caso. Em paciente com DM2 recém-diagnosticado e risco cardiovascular muito alto, a escolha inicial não deve ser guiada apenas pela HbA1c, mas pela necessidade de usar classe com benefício cardiovascular comprovado. A Diretriz Brasileira de Diabetes, na recomendação R16, indica iSGLT2 ou AR GLP-1 independentemente da HbA1c. Como o enunciado não traz sobrepeso nem obesidade, não há razão adicional para privilegiar AR GLP-1 por estratégia de perda ponderal; entre as opções oferecidas, o iSGLT2 em monoterapia é a formulação que melhor se alinha à diretriz.
C
Errada
Embora AR GLP-1 também seja classe aceitável no alto ou muito alto risco cardiovascular, esta alternativa propõe terapia dupla inicial com metformina, e essa formulação não é a recomendação específica exigida pela questão segundo a diretriz usada como base. Além disso, a ausência de sobrepeso e obesidade retira o principal argumento de preferência por AR GLP-1 por redução de peso. Entre as opções apresentadas, a que corresponde de modo direto à recomendação diretriz-específica é o iSGLT2 em monoterapia.
D
Errada
Sulfonilureia associada à pioglitazona não é esquema inicial preferencial em paciente recém-diagnosticado com risco cardiovascular muito alto, porque não prioriza classes com benefício cardiovascular comprovado, que são justamente as recomendadas nesse perfil. Além disso, sulfonilureias aumentam risco de hipoglicemia e ganho ponderal, e a pioglitazona se associa a ganho de peso e edema, o que torna essa escolha tecnicamente inadequada diante de alternativas mais alinhadas ao objetivo cardiovascular.
E
Errada
Insulinoterapia inicial não se sustenta neste cenário porque não há critérios clássicos para insulinização imediata: a HbA1c é 7,2%, o enunciado não descreve hiperglicemia importante, cetose, catabolismo, sintomas marcados nem falha terapêutica prévia. Iniciar insulina aqui desconsidera o critério de gravidade clínica/laboratorial e expõe a risco de hipoglicemia sem indicação clara.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o algoritmo geral baseado apenas na HbA1c, que faria muitos pensarem em metformina, e o algoritmo específico da diretriz para paciente com risco cardiovascular muito alto, em que a escolha inicial deve priorizar iSGLT2 ou AR GLP-1 independentemente da HbA1c.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de olhar a HbA1c, verifique se o enunciado informa risco cardiovascular alto/muito alto ou doença cardiorrenal, porque isso pode redefinir a primeira escolha.
  • Metformina para HbA1c entre 6,5% e 7,5% vale como lógica inicial quando o risco cardiovascular é baixo ou intermediário; não aplique isso automaticamente a todos os recém-diagnosticados.
  • Se a questão trouxer iSGLT2 ou AR GLP-1 em paciente de alto risco cardiovascular, procure qual opção está mais fiel à formulação da diretriz e ao perfil clínico descrito, inclusive peso corporal.
  • Reserve insulinização inicial para quadros com gravidade clínica ou laboratorial, e não apenas por idade ou risco cardiovascular elevado.

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