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Q2317861 Medicina
Paciente dá entrada na emergência com dor abdominal de forte intensidade em barra com irradiação para o dorso há 3 dias, após libação alcóolica.
Realizado TC de abdome que evidenciou aumento do pâncreas com grande área sem captação de contraste sugerindo necrose. O paciente está hemodinamicamente estável.
Após o resultado da TC de admissão,
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Tema central: Pancreatite aguda necrosante – manejo clínico inicial.

Contextualização: O caso clínico descreve um paciente com dor abdominal intensa, TC evidenciando necrose pancreática após consumo exagerado de álcool, estando hemodinamicamente estável.

Pancreatite aguda necrosante é uma complicação grave da pancreatite, geralmente associada a maior morbimortalidade. Seu manejo incial deve ser cuidadoso e baseado em diretrizes atualizadas.

Justificativa da alternativa correta (D – aguardar evolução):

Segundo as Diretrizes do American College of Gastroenterology (2013) e da International Association of Pancreatology, em pacientes estáveis e sem sinais de infecção sistêmica, a conduta é expectante. Ou seja, aguardar evolução clínica, monitorar sinais vitais e complicações. “A intervenção precoce não é recomendada sem evidência de infecção ou deterioração clínica” (IAP/APA 2013).

Análise das alternativas incorretas:

A) iniciar antibioticoterapia com carbapenêmico: Errado. Antibióticos profiláticos (qualquer classe) não reduzem mortalidade, não previnem infecção de necrose e aumentam risco de resistência. Só estão indicados diante de infecção comprovada, segundo recomendações da ACG e IAP.

B) indicar necrosectomia percutânea: Errado. Procedimento reservado à necrose infectada, ainda assim preferencialmente após 4 semanas para permitir “maduração” da necrose (formação de cápsula).

C) indicar necrosectomia cirúrgica: Errado. Cirurgia de necrosectomia é ainda mais invasiva; só indicada após falha das medidas menos invasivas e diante de infecção grave não controlável.

E) iniciar antibioticoterapia com quinolona: Errado. Mesma regra: sem infecção documentada, não se inicia antibiótico, independentemente da classe utilizada.

Destaque para leitura de prova: Busque as palavras-chave: hemodinamicamente estável e sem infecção; não se antecipe com antibióticos ou procedimentos invasivos.

Referência: UpToDate; Protocolo Clínico de Pancreatite Aguda (SBP 2018); American College of Gastroenterology Guidelines 2013.

Conclusão: A alternativa correta, baseada em evidências científicas e protocolos oficiais, é aguardar evolução (D) frente à pancreatite necrosante em pacientes estáveis.

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A questão descreve um cenário clínico de pancreatite aguda grave, sugerida pelos sintomas de dor abdominal severa com irradiação para o dorso, história de consumo de álcool e achados na tomografia computadorizada (TC) de abdome indicativos de aumento pancreático e áreas de necrose. A alternativa D - aguardar evolução - é a correta e indica a abordagem inicial mais apropriada de acordo com as diretrizes atuais para o manejo de pancreatite aguda necrotizante. Nas primeiras fases da pancreatite aguda, há inflamação e, possivelmente, necrose do tecido pancreático. No entanto, não é recomendado iniciar intervenções invasivas, como necrosectomia (cirúrgica ou percutânea), ou antibioticoterapia, a menos que haja sinais de infecção ou outras complicações específicas. Intervenções cirúrgicas precoces estão associadas a maiores taxas de morbidade e mortalidade. Por isso, a opção conservadora de "aguardar evolução" é preferível para pacientes hemodinamicamente estáveis, como é o caso do paciente descrito. O manejo conservador inclui suporte hemodinâmico, manejo da dor, nutrição adequada e monitoramento para complicações. O uso de antibióticos profiláticos em pancreatite necrotizante não é recomendado, pois não reduz a incidência de infecções e pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana. Antibióticos só devem ser iniciados se houver evidência clínica ou microbiológica de infecção. Portanto, as opções A (iniciar antibioticoterapia com carbapenêmico) e E (iniciar antibioticoterapia com quinolona) são prematuras sem sinais de infecção. As opções B (indicar necrosectomia percutânea) e C (indicar necrosectomia cirúrgica) referem-se a procedimentos invasivos que são reservados para casos em que há complicações específicas, como necrose infectada confirmada que não responde ao tratamento conservador ou outras indicações clínicas que possam surgir com a evolução do quadro. Esses procedimentos são associados a maior risco e, portanto, não são a primeira linha de tratamento numa fase inicial sem complicações infecciosas. É por isso que a resposta correta é a D, que propõe uma abordagem expectante e de suporte, monitorando o paciente para possíveis complicações.

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