Paciente de 80 anos, sexo feminino, hipertensa, internada po...

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Q2317857 Medicina
Paciente de 80 anos, sexo feminino, hipertensa, internada por pneumonia comunitária tratada, tendo ficado 30 dias na UTI em ventilação mecânica, com cateter vesical e cateter nasoenteral.
Atualmente está no quarto, sem febre, apenas com acesso venoso periférico e em reabilitação motora. Possui exame de urina de elementos anormais e sedimentoscopia (EAS) com presença de hifas e piúria sugestivo de candidíase.
Assinale a opção que indica a melhor conduta. 
Alternativas

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Tema central: O tema da questão é candidúria assintomática em paciente idosa, previamente exposta a fatores de risco intrahospitalares (cateter vesical, UTI, VM), avaliando a necessidade do tratamento antifúngico conforme diretrizes atuais.

Justificativa para a alternativa correta (E):
A presença de hifas e piúria em amostra de urina sugere candidúria. Contudo, na ausência de sintomas urinários (disúria, urgência, febre, dor lombar), trata-se, em geral, de colonização da bexiga – especialmente em pacientes que utilizaram cateteres urinários. As principais diretrizes (como o Protocolo do HC-UFMG e o Guia do HC-FMUSP) orientam que candidúria assintomática não deve ser tratada em pacientes imunocompetentes e fora do contexto de procedimentos urológicos, pelos riscos de resistência e efeitos adversos desnecessários.

O Ministério da Saúde reforça:
“O tratamento não é recomendado na ausência de sintomas, exceto em situações especiais.” (PCDT Infecções do Trato Urinário, p. 8)

Análise das alternativas incorretas:

A, B e C) Tratar com fluconazol, caspofungina ou anfotericina B:
Incorretos, pois esses antifúngicos são indicados somente se houver sintomas, imunossupressão grave ou antes de procedimentos invasivos no trato urinário. O tratamento indiscriminado pode causar seleção de cepas resistentes e toxicidade.

D) Aguardar urinocultura para tratamento:
Até a realização de urinocultura, o paciente continua assintomático. O resultado laboratorial isolado, na ausência de sintomas, não justifica tratamento. O foco deve ser na remoção de fatores predisponentes, caso persistam.

Dica de prova:
Fique atento ao contexto clínico: sintomas urinários, imunossupressão, indicação cirúrgica ou instrumentação urológica mudam totalmente a conduta! Perguntas do tipo tentam induzir ao erro focando apenas no achado laboratorial.

Resumo:
Em paciente idosa, previamente com cateter, candidúria assintomática não exige antifúngico nem nova coleta de urina, salvo situações especiais. Monitorar e eliminar fatores de risco é suficiente.

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Comentários

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A questão apresentada refere-se à conduta adequada diante de um achado laboratorial específico em uma paciente idosa com histórico recente de internação na UTI e ventilação mecânica. O exame de urina (EAS) da paciente mostrou a presença de hifas e piúria, o que sugere a presença de fungos, possivelmente Candida, no trato urinário. No entanto, para iniciar o tratamento antifúngico, é necessário considerar o quadro clínico do paciente e não apenas o achado laboratorial. A paciente em questão está sem febre e em reabilitação motora, indicando que não apresenta sintomas que sugiram infecção ativa ou disseminada. A presença de hifas na urina pode ser um achado em indivíduos colonizados, mas não necessariamente indica uma infecção que exija tratamento. Na ausência de sintomas ou sinais de infecção do trato urinário ou infecção sistêmica, a presença de Candida na urina muitas vezes representa colonização, e não infecção, especialmente em pacientes com cateteres urinários, como é o caso desta paciente. Portanto, a conduta mais apropriada é a alternativa E - Não é necessário tratamento. Isso porque tratar a paciente com antifúngicos na ausência de sintomas pode levar ao desenvolvimento de resistência, efeitos colaterais desnecessários e custos adicionais. O tratamento antifúngico só seria considerado se houvesse evidências clínicas ou dados laboratoriais adicionais que sugerissem uma infecção invasiva por Candida. As alternativas A, B e C sugerem tratamentos com antifúngicos específicos, mas não são apropriadas nesta situação, enquanto a alternativa D sugere aguardar a urinocultura, o que não é necessário na ausência de sintomas.

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