A transfusão maciça de sangue pode ser definida como a admi...

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Q4194686 Medicina
A transfusão maciça de sangue pode ser definida como a administração aguda de volume superior a uma vez e meia a volemia do paciente ou ainda como a reposição com sangue estocado equivalente ao volume sanguíneo total de um paciente, em 24 horas.
Assinale a alternativa correta com relação à transfusão maciça.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na transfusão maciça, a reposição predominante de concentrado de hemácias pode causar coagulopatia dilucional; quando TP e/ou TTPa estão acima de 1,5 vez o controle, indica-se plasma fresco congelado, o que torna a alternativa C correta.

Tema central: Coagulopatia dilucional na transfusão maciça
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por inverter a fisiopatologia do citrato. Em grandes volumes, o citrato quelante reduz o cálcio ionizado e pode causar hipocalcemia, não hipercalcemia. Mesmo que alterações do potássio possam ocorrer na transfusão maciça por outros mecanismos, a afirmação sobre cálcio já torna a alternativa incorreta.
B
Errada
Está errada porque, em hemorragia maciça, o alvo plaquetário para suporte hemostático é superior a 20 x 10^9/L. Esse valor é baixo e não corresponde a estratégia adequada para sangramento importante. A confusão típica aqui é usar limiar de paciente estável não sangrante em um contexto de transfusão maciça.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve a complicação hemostática clássica da transfusão maciça: a reposição de hemácias sem reposição proporcional de fatores de coagulação leva à coagulopatia dilucional. Nesse cenário, TP e/ou TTPa > 1,5 vez o controle indicam reposição com plasma fresco congelado, que repõe múltiplos fatores de coagulação.
D
Errada
Está errada porque não é correto afirmar que todos os concentrados de hemácias devam ser O RhD negativo. Em urgência extrema, pode-se iniciar com CH O, inclusive O RhD negativo em situações específicas, mas isso é conduta emergencial inicial, não regra universal para toda a reposição. Após tipagem e compatibilidade, devem-se usar componentes apropriados ao paciente.
E
Errada
Está errada porque a gravidade clínica não autoriza dispensar a testagem sorológica obrigatória dos hemocomponentes. Protocolos emergenciais podem acelerar a liberação e abreviar etapas de compatibilização do receptor em situações específicas, mas não eliminam a triagem sorológica obrigatória do doador. Fazer essa equivalência compromete a segurança hemoterápica.
Pegadinha da questão
A banca misturou uma conduta correta de correção da coagulopatia dilucional com erros clássicos: trocar hipocalcemia por hipercalcemia na toxicidade por citrato, usar alvo plaquetário baixo de contexto inadequado e transformar medidas emergenciais de hemoterapia em regras universais.
Dica para questões semelhantes
  • Em transfusão maciça, pense primeiro nas complicações hemostáticas da reposição predominante de hemácias: diluição de fatores e plaquetas.
  • Se TP e/ou TTPa estiverem acima de 1,5 vez o controle no contexto de sangramento, a reposição de fatores com plasma fresco congelado é a lógica correta.
  • Citrato em grande volume quelante cálcio: o distúrbio esperado é hipocalcemia, não hipercalcemia.
  • Conduta emergencial inicial com CH O não deve ser generalizada como regra para todo o protocolo transfusional.

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