Paciente de 60 anos, internado por estafilococcia MRSA, em u...
Ao exame estava lúcido e orientado, hipocorado +/4+, ausculta cardíaca com ruído na borda esternal esquerda que aumentava após a aplicação de pressão do diafragma do estetoscópio e com o paciente inclinado para a frente. O eletrocardiograma (ECG) demonstrava elevação difusa de ST. Ausculta respiratória normal. Sem turgência jugular patológica. Exames demonstraram K 6,0 mEq/L e pH 7,25 com HCO3 de 20 mEq/L.
Para o caso, neste momento, a conduta mais adequada do emergencista é indicar diálise devido ao(à)
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Tema central: A questão aborda a identificação de indicações absolutas para diálise em pacientes com insuficiência renal aguda (IRA), enfatizando achados de pericardite urêmica como critério fundamental para início imediato do procedimento.
Justificativa da alternativa correta (A – achado cardíaco): O paciente apresenta sinais típicos de pericardite urêmica – dor torácica, ruído pericárdico e elevação difusa do segmento ST ao ECG, em contexto de insuficiência renal recente. Essa complicação é reconhecida, segundo o Manual MSD para Profissionais de Saúde, como indicação absoluta de diálise, independentemente dos valores laboratoriais. A pericardite urêmica surge da inflamação do pericárdio por metabólitos tóxicos acumulados na uremia e pode rapidamente evoluir com risco de tamponamento cardíaco. Por isso, o manejo imediato e prioritário é o início da hemodiálise. Este critério é enfatizado nas recomendações internacionais e nacionais, como orienta a Sociedade Portuguesa de Cardiologia: “Deve ser considerada a diálise na pericardite urêmica”.
Análise das alternativas incorretas:
B) Acidose: O paciente está acidótico (pH 7,25; HCO3 20 mEq/L), porém não apresenta sinais de descompensação grave ou refratariedade ao tratamento convencional, requisitos para indicação absoluta de diálise para acidose.
C) Hipercalemia: O potássio sérico está elevado (6,0 mEq/L), mas na ausência de manifestações clínicas severas (como arritmia), a hipercalemia isolada, em especial abaixo de 6,5 mEq/L, permite tentativas de tratamento clínico antes da indicação da diálise.
D) Valor de ureia: Apesar da ureia elevada (80 mg/dL), o nível laboratorial isolado não é, por si, indicação absoluta para diálise. A indicação se dá pelo quadro clínico associado.
E) Não indicá-la: A conduta expectante colocaria o paciente em risco devido à evolução potencialmente grave da pericardite urêmica. Não indicar diálise neste cenário expõe a riscos fatais.
Estratégia para a prova: Atente-se a palavras-chave como “ruído pericárdico” e “elevação difusa do ST” associadas à IRA. Isso indica, na prática e em protocolos, a necessidade imediata de diálise, não sendo permitido aguardar evolução laboratorial.
Segundo o Manual MSD: “Hemodiálise é indicada em casos de insuficiência renal... com Pericardite”. A literatura de referência (ex: Harrison’s Principles of Internal Medicine) e os protocolos da Sociedade Brasileira de Nefrologia corroboram totalmente esta conduta.
Resumo final: O diagnóstico de pericardite urêmica frente à insuficiência renal aguda demanda hemodiálise sem demora. Essa é uma das situações clínicas mais cobradas em concursos e exige interpretação clínica além de valores laboratoriais!
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