Os pacientes que se submetem a intervenções cirúrgicas buco...
I.Os pacientes com insuficiência cardíaca congestiva devem suspender seus medicamentos habituais durante o período perioperatório. É fundamental monitorar os níveis séricos de potássio, pois a hiperpotassemia pode ocorrer devido à suspensão de diuréticos não poupadores de potássio.
II.Em pacientes com doença arterial coronariana, o uso perioperatório de betabloqueadores reduz a probabilidade de eventos cardíacos, incluindo infarto do miocárdio.
III.A profilaxia com antibióticos é necessária para os pacientes com próteses valvares cardíacas ou para aqueles com história pregressa de endocardite, cardiopatia congênita cianótica não corrigida ou cardiopatia congênita corrigida durante os 6 primeiros meses após a cirurgia.
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Tema central: avaliação pré-operatória de pacientes com doenças cardiovasculares para cirurgias bucomaxilofaciais, com foco em manutenção/suspensão de fármacos, uso de betabloqueadores e profilaxia de endocardite infecciosa.
Gabarito: D (II e III)
Justificativa das assertivas corretas
II. Em portadores de doença arterial coronariana, o uso perioperatório de betabloqueadores reduz eventos isquêmicos, inclusive infarto, sobretudo quando já em uso crônico (devem ser mantidos). A introdução pode ser considerada em pacientes de risco elevado com tempo hábil para titulação. Evidências e diretrizes: ACC/AHA Perioperative Guideline 2014 e atualização 2024; o estudo POISE mostrou redução de IAM, mas risco de hipotensão/AVC quando iniciados abruptamente em altas doses — portanto, manter sim; iniciar com critério e tempo para ajuste.
III. Profilaxia antibiótica para endocardite infecciosa é indicada em procedimentos odontológicos com manipulação gengival/periapical para pacientes de alto risco: próteses valvares, história prévia de endocardite, cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas, e corrigidas com material protético nos primeiros 6 meses (ou com defeitos residuais). Corresponde ao recomendado pela AHA/ADA 2021.
Análise da assertiva incorreta
I. Está incorreta por dois motivos: (1) não se deve “suspender” genericamente os fármacos da insuficiência cardíaca no perioperatório. A conduta usual é manter a terapia guiada por diretriz (betabloqueadores, antagonistas de mineralocorticoide), individualizando a suspensão de IECA/BRAs antes de cirurgias por risco de hipotensão e avaliando os diuréticos conforme volume/eletrólitos; (2) a “hiperpotassemia por suspender diuréticos não poupadores de K+” é uma justificativa inadequada: diuréticos de alça/tiazídicos são perdedores de potássio; ao suspender, o risco eletrolítico típico não é a preocupação central. Hiperpotassemia costuma relacionar-se a IECA/BRAs, poupadores de K+ (espironolactona) e disfunção renal. Referências: ACC/AHA 2024; UpToDate (Perioperative medication management).
Estratégia para a prova
- Desconfie de frases absolutas como “devem suspender todos os medicamentos”. Perioperatório é individualização e manutenção do que protege.
- Em CAD: manter betabloqueador se já usa; iniciar apenas com planejamento e titulação.
- Endocardite: profilaxia só para alto risco e procedimentos com manipulação gengival/periapical.
Por que as alternativas?
A (I, II, III): errada porque I é falsa.
B (I e II): errada porque I é falsa.
C (II): incompleta; III também é verdadeira.
D (II e III): correta.
E (I e III): errada porque I é falsa.
Fontes essenciais: ACC/AHA Perioperative Cardiovascular Evaluation (2014; atualização 2024, JACC); AHA/ADA 2021 – Endocarditis Prophylaxis; UpToDate – Perioperative medication management; Miller’s Anesthesia.
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