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Q465722 Português

Embora a aspiração por justiça seja tão antiga quanto os primeiros agrupamentos sociais, seu significado sofreu profundas alterações no decorrer da história. Apesar das mudanças, um símbolo atravessou os séculos - a deusa Têmis -, imponente figura feminina, com os olhos vendados e carregando em uma das mãos uma balança e na outra uma espada. Poucas divindades da mitologia grega sobreviveram tanto tempo. Poucos deixariam de reconhecer na imagem o símbolo da justiça.

A moderna ideia de justiça e de direito é inerente ao conceito de indivíduo, um ente que tem valor em si mesmo, dotado de direitos naturais. Tal doutrina se contrapunha a uma concepção orgânica, segundo a qual a sociedade é um todo.

A liberdade, nesse novo paradigma, deixa de ser uma concessão ou uma característica de uma camada social e converte-se em um atributo do próprio homem.

A crença de que os direitos do homem correspondiam a uma qualidade intrínseca ao próprio homem implicou enquadrar a justiça em um novo paradigma. O justo não é mais correspondente à função designada no corpo social, mas é um bem individual, identificado com a felicidade, com os direitos inatos.

Da igualdade nos direitos naturais derivava-se não só a liberdade, mas também as possibilidades de questionar a desigualdade entre os indivíduos, de definir o tipo de organização social e o direito à resistência. Toda e qualquer desigualdade passa a ser entendida como uma desigualdade provocada pelo arranjo social. Nesse paradigma, a sociedade e o Estado não são fenômenos dados, mas engendrados pelo homem. A desigualdade e o poder ilimitado deixam, pois, de ser justificados como decorrentes da ordem natural das coisas. À lei igual para todos incorpora-se o princípio de que desiguais devem ser tratados de forma desigual. Cresce a força de movimentos segundo os quais a lei, para cumprir suas funções, deve ser desigual para indivíduos que são desiguais na vida real.

Nesse novo contexto, modifica-se o perfil do poder público. O judiciário, segundo tais parâmetros, representa uma força de emancipação. É a instituição pública encarregada, por excelência, de fazer com que os preceitos da igualdade prevaleçam na realidade concreta. Assim, os supostos da modernidade, particularmente a liberdade e a igualdade, dependem, para se materializarem, da força do Judiciário, de um lado, e do acesso à justiça, das possibilidades reais de se ingressar em tribunais, de outro.

Para terminar, volto à deusa Têmis, que enfrentava no Olimpo o deus da guerra, Ares. Naquele tempo, como hoje, duas armas se enfrentam: a violência, que destrói e vive da desigualdade, e a lei, que constrói e busca a igualdade.


(Adaptado de SADEK, Maria Tereza Aina. “Justiça e direitos: a construção da igualdade". In: Agenda Brasileira. São Paulo, Cia. das Letras, 2011, p. 326-333.)



Identifica-se ideia de comparação no segmento que se encontra em:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda interpretação de texto, com foco em figuras de linguagem — especificamente, a comparação. Dominar esse tema é essencial para provas discursivas e objetivas, pois exige a identificação de recursos estilísticos e compreensão do efeito sentido criado pelo autor.

Justificativa da alternativa correta (C):
No segmento “Embora a aspiração por justiça seja tão antiga quanto os primeiros agrupamentos...”, temos uso claro do recurso de comparação, indicado pela expressão “tão antiga quanto”. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), a comparação consiste na aproximação explícita entre dois termos, geralmente introduzida por conectivos como “como”, “tal qual”, “assim como”, “quanto”, entre outros.

Observe: “Seus olhos eram tão brilhantes quanto diamantes.” – A relação de semelhança se estabelece pelo conectivo “quanto”, idêntico ao observado na alternativa correta.

Análise das alternativas incorretas:

  • A)“Assim, os supostos da modernidade...”
    Não há conectivo comparativo aqui; “assim” indica conclusão, não semelhança.
  • B)“... não só a liberdade, mas também as possibilidades...”
    A frase organiza uma adição de ideias, não faz comparação.
  • D)“A persistência da representação esconde, contudo, importantes mudanças...”
    O advérbio “contudo” expressa oposição e contraste — não há construção comparativa.
  • E)“... para indivíduos que são desiguais na vida real.”
    Descreve uma circunstância de desigualdade, sem estabelecer relação explícita de semelhança.

Estratégias para interpretar corretamente: Procure por palavras ou expressões como “como”, “tal qual”, “mais... que”, “menos... que”, “tão... quanto”, pois essas são marcas típicas de comparação segundo a norma-padrão (vide Bechara). Atenção: confunda adição, oposição e causa/consequência com figuras de linguagem é um erro comum em concursos.

Resumo: A alternativa C utiliza comparação explícita, conforme a definição gramatical padrão; as demais alternativas apresentam outros tipos de relação textual. Saber identificar conectivos de comparação é fundamental para acertar questões do gênero.

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Comentários

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Gab:C

Alternativa b) Não só...mas também : 

Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando ideia de acrescentamento ou adição. São elas: e, nem (= e não), não só... mas também, não só... como também, bem como, não só... mas ainda.

Ex: Ela não só dirigiu a pesquisa como também escreveu o relatório.

Alternatica c) tão...quanto.

Comparativas: introduzem uma oração que expressa ideia de comparação com referência à oração principal. São elas: como, assim como, tal como, como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (combinado com menos ou mais),etc.

Exemplo: Ele é preguiçoso tal como o irmão.


ahh boa, "quanto"


fiquei preso nesse "Embora"

Uai, como assim? As alternativas erradas estão em itálico e a certa não? Será que na prova estava desse jeito também? '-'

GABARITO C

 

Analisando pessoal:

 

 a) Assim, os supostos da modernidade...   Ideia de CONCLUSÃO

 

 b) ... não só a liberdade, mas também as possibilidades de... Ideia de ADIÇÃO. Liberdade + Possibilidade. 

 

 c) Embora a aspiração por justiça seja tão antiga quanto os primeiros agrupamentos...  Ideia de COMPARAÇÃO. Antiga COMO os primeiros agrupamentos. 

 

 d) A persistência da representação esconde, contudo, importantes mudanças... Ideia de ADVERSIDADE

 

 e) ... para indivíduos que são desiguais na vida real. Acho que nessa parte não é conjunção e sim PREPOSIÇÃO. Não tem ideia de finalidade nem de causa. Se eu estiver errada, me corrijam.

 

 

bons estudos

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