A ênfase na chamada “transição” da escravidão (ou do escrav...

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Q2004195 Conhecimentos Gerais
A ênfase na chamada “transição” da escravidão (ou do escravismo, ou do modo de produção escravista) ao trabalho livre (ou à ordem burguesa) é problemática porque passa a noção de linearidade e de previsibilidade de sentido no movimento da história. Ou seja, postulando uma teoria do reflexo mais ou menos ornamentada pelo político e pelo ideológico, o que se diz é que a decadência e a extinção da escravidão se explicam em última análise a partir da lógica da produção e do mercado.
CHALHOUB, Sidney. Visões da Liberdade: as últimas décadas da escravidão na Corte. SP: Companhia das Letras, 2011. p.20.
Com esta afirmação, o autor procura evidenciar que: 
Alternativas

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A alternativa correta é a B. Vamos entender o porquê.

O autor Sidney Chalhoub, em sua obra "Visões da Liberdade", aborda a problemática da visão linear e previsível da transição da escravidão para o trabalho livre. Ele critica a ideia de que essa mudança histórica pode ser explicada apenas pela lógica da produção e do mercado, desconsiderando as intenções e as lutas dos próprios agentes sociais.

Com isso, Chalhoub evidencia que essa visão simplista e determinista é errônea, pois considera que a decadência e a extinção da escravidão foram inevitáveis e fora do alcance das intenções e das lutas dos próprios agentes sociais. Ou seja, ele critica a ideia de que os acontecimentos históricos foram pré-determinados e lineares, ignorando as complexidades e os conflitos sociais envolvidos no processo.

Vamos analisar as alternativas para entender melhor:

A - Incorreta. O autor não está afirmando que o conceito de "transição" é mais adequado que "processo histórico". Ele critica justamente a noção de previsibilidade e linearidade associada à ideia de transição.

B - Correta. Chalhoub argumenta que a visão de que a transição da escravidão ao trabalho livre foi inevitável desconsidera as intenções e lutas dos agentes sociais, tornando-se uma visão errônea.

C - Incorreta. Embora use termos ligados ao marxismo, o autor não afirma que só essa teoria pode explicar a transição. Ele critica a visão reducionista de que a mudança pode ser explicada apenas pela lógica de produção e mercado.

D - Incorreta. A questão não aborda a marginalização dos ex-escravos como um ponto central da argumentação do autor.

E - Incorreta. Chalhoub não está discutindo a aceitação de diferentes visões sobre a escravidão no Brasil, mas sim criticando a noção de inevitabilidade e previsibilidade na transição para o trabalho livre.

Portanto, a alternativa B é a que melhor representa a crítica de Chalhoub à visão linear e determinista da transição da escravidão para o trabalho livre.

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Comentários

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O trecho de Sidney Chalhoub critica a ideia de que o fim da escravidão foi um “processo natural”, conduzido por uma lógica linear, previsível e determinada apenas por fatores econômicos, como a lógica de mercado ou a ascensão da ordem burguesa.

Ele questiona essa noção de “transição” porque ela dá a impressão de que havia um caminho inevitável e necessário da escravidão ao trabalho livre, apagando a complexidade do processo e, principalmente, a atuação dos sujeitos históricos, como os próprios escravizados, abolicionistas e outros agentes sociais.

Assim, o autor está denunciando uma interpretação determinista e economicista da história, que retira das pessoas (especialmente das pessoas escravizadas) o papel de protagonistas de sua própria libertação.

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