No período “Não se discute com o velho, não se confrontam o...

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Q2448185 Português
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Texto 3

A característica da relação do adulto com o velho é a falta de reciprocidade que se pode traduzir numa tolerância sem o calor da sinceridade. Não se discute com o velho, não se confrontam opiniões com as dele, negando-lhe a oportunidade de desenvolver o que só se permite aos amigos: a alteridade, a contradição, o afrontamento e mesmo o conflito. Quantas relações humanas são pobres e banais porque deixamos que o outro se expresse de modo repetitivo e porque nos desviamos das áreas de atrito, dos pontos vitais, de tudo o que em nosso confronto pudesse causar o crescimento e a dor! Se a tolerância com os velhos é entendida assim, como uma abdicação do diálogo, melhor seria dar-lhe o nome de banimento ou discriminação.

BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 1994. 
No período “Não se discute com o velho, não se confrontam opiniões com as dele, negando-lhe a oportunidade de desenvolver o que só se permite aos amigos: a alteridade, a contradição, o afrontamento e mesmo o conflito”, a forma verbal destacada flexiona-se no plural, para
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Sintaxe – Concordância Verbal com a Partícula Apassivadora "se". A prova pediu que você identificasse a razão da flexão do verbo “confrontam” no plural, focando nas regras da concordância verbo-sujeito nos casos de voz passiva sintética.

Justificativa da alternativa correta (A):

Na frase: “não se confrontam opiniões...”, o termo “opiniões” é o sujeito paciente: ele sofre a ação de ser confrontada. O “se” atua como partícula apassivadora, marcando a voz passiva sintética. Vamos à regra:

Pela norma-padrão, quando “se” é partícula apassivadora, o verbo deve concordar com o sujeito paciente (que normalmente, na voz ativa, seria o objeto direto). Por isso, dizemos:

“Vendem-se casas.” (sujeito paciente: casas)
“Alugam-se quartos.” (sujeito paciente: quartos)

No exemplo, “opiniões” está no plural, então o verbo também vai ao plural: “confrontam”. Assim, a alternativa A) "concordar com o sujeito paciente" é a correta.

Por que as outras opções estão incorretas?

B) “Demonstrar a voz ativa”: Errado. O uso do “se” aqui é de voz passiva sintética, não voz ativa. Voz ativa: “Confrontam opiniões com os velhos.” Voz passiva: “Não se confrontam opiniões...”

C) “Relação com o objeto direto”: Errado. Na passiva, o antigo objeto direto vira sujeito paciente e o verbo concorda com ele.

D) “Sujeito indeterminado”: Errado. O sujeito indeterminado ocorre em estruturas como “Precisa-se de vendedores”, quando o complemento é preposição (“de vendedores”). Aqui, temos “opiniões”, sem preposição e determinando o verbo.

Dica para provas: Sempre que vir o “se” e um verbo que pede objeto direto (VTD) mais um termo no plural, desconfie: é caso de partícula apassivadora. O verbo deve ir para o plural conforme o “novo” sujeito. Cuidado, pois muitos erram por não identificar o papel do “se”!

Gramaticalmente, essa explicação está em sintonia com Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra, que tratam dos casos de concordância em frases com partícula apassivadora.

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Comentários

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Gabarito A.

"não se confrontam opiniões" -> Opiniões não são confrontadas

O verbo concorda com o Sujeito Paciente (Opiniões), aquele que sofre a ação do verbo.

Para ficar fácil, reescreva a oração na forma direta (Suj + V.L. + Predicado):

Opiniões não se confrontam com as dele. -> Opiniões não são confrontadas com as dele.

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