O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A revolução discreta da cidade italiana que virou
alternativa ao turismo excessivo de Veneza
O ar está impregnado de sal e manteiga quando uma
tigela de tagliatelle com anchovas e ovas de bacalhau
chega à mesa junto ao canal. A garçonete serve vinho
branco e elogia a Primiero Botìro, manteiga alpina feita
com leite cru, "mais saborosa nesta época".
É setembro em Treviso, cidade encantadora e discreta
do norte da Itália, muitas vezes apenas ponto de
passagem rumo à vizinha Veneza. Cercada por muralhas
e cortada por canais, é berço do tiramissu e símbolo do
vinho pró seco.
Recentemente, Treviso tornou-se a primeira cidade
italiana a conquistar o European Green Leaf Award, da
União Europeia, que reconhece o compromisso
ambiental de cidades médias. Com cerca de noventa e
quatro mil habitantes, transformou um aterro em parque
solar, recuperou canais e criou projetos de
biodiversidade que melhoraram a qualidade do ar.
A iniciativa se estende às Colinas de Prosecco,
tombadas pela Unesco, onde produtores adotam práticas
sustentáveis. O contraste com Veneza é evidente:
enquanto a vizinha ainda sofre com turismo excessivo e
poluição, Treviso cresce com equilíbrio. A taxa cobrada
de visitantes em Veneza arrecada milhões, mas não
reduziu significativamente o fluxo diário de turistas.
"Temos muito orgulho da nossa cidade", afirma o
vice-prefeito Alessandro Manera. "O prêmio mostra
quem está melhorando, não quem é mais bonita." Desde
o início da missão sustentável, há sete anos, Treviso
ampliou ciclovias, implantou reciclagem escolar e plantou
seis mil árvores — essenciais para purificar o ar do Vale
do Pó. O sistema de esgoto, antes restrito a 27% da
população, já atende 64% e deve alcançar 80%.
Conhecida como "pequena Veneza", Treviso tem nos
canais sua alma. "Eles são os protagonistas", diz a guia
Ilaria Barbon. "A água moldou a cidade desde o século
16." Hoje, a qualidade hídrica é excelente, e o aplicativo
Free Aqua permite monitorar o abastecimento. A
prefeitura distribui garrafas de alumínio nas escolas para
atingir a meta de plástico zero.
Antigos moinhos do século 16 voltaram a gerar energia,
e um deles abastece o mercado central de peixes. Outro
projeto, de vinte e cinco milhões de euros, substituirá
toda a iluminação pública por LED, reduzindo o consumo
em 70%.
A guia Annalisa De Martin conduz passeios de bicicleta
pelos canais e termina com tiramissu, sobremesa criada
ali no século 18. Treviso também é famosa pelo
radicchio, usado em risotos, molhos, doces e até em
uma versão inusitada da sobremesa durante a "Copa do
Mundo do Tiramissu".
Nas colinas de Prosecco, o enólogo Sandro Bottega
relata os efeitos das mudanças climáticas: verões secos
e granizo fora de época reduziram as colheitas. Para
reagir, os produtores adotam adubação verde, energia
solar e climatização geotérmica.
Assim, Treviso consolida-se como exemplo de harmonia
entre tradição e inovação — uma cidade que une
história, sustentabilidade e os prazeres simples da boa
comida, da água limpa e da consciência ambiental.
O ar "está" impregnado de sal e manteiga quando uma
tigela de tagliatelle com anchovas e ovas de bacalhau
"chega" à mesa junto ao canal.
Substituindo os verbos destacados por pretérito
mais-que-perfeito do indicativo e pretérito perfeito do
indicativo, respectivamente, tem-se:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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