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Q582323 Português

TEXTO

                   O PREOCUPANTE AVANÇO DA CENSURA JUDICIAL

                                                                                                                        O Globo, 11/4/2014

      O fim da censura, ainda no regime militar, e a garantia de liberdade de expressão explicitamente inscrita na Constituição de 1988 são marcos fundamentais da redemocratização do país. Foram conquistas árduas, que custaram sacrifícios à sociedade. No caso específico do direito à livre manifestação, trata-se de fruto de longo processo, que só se completou bem depois da volta dos militares aos quartéis e da promulgação da Carta: como entulho herdado da ditadura, perdurou como espasmo do autoritarismo na legislação brasileira a Lei de Imprensa, permanente ameaça a jornalistas e veículos de comunicação, até ser enviada ao lixo pelo Supremo Tribunal Federal, em 2009.

      O país consagra, portanto, esse princípio inerente ao estado democrático de direito. E, em comparação com outras nações do continente, onde agravos à liberdade de expressão têm sido praticados sistematicamente, o Brasil é um exemplo positivo. Mas essa confrontação, se nos coloca em patamar diverso de Estados com governos autoritários, como Argentina, Venezuela e outros, por outro mitiga uma realidade na qual o exercício do jornalismo profissional e responsável está sujeito a inaceitáveis trancos. Caso explícito da chamada censura judicial, em geral requerida por agentes públicos contra veículos de imprensa e jornalistas em todo o país. (....)

      Neste sentido, é positiva a iniciativa de instituições como ONU, OEA, STF e CNJ de realizar, no Rio, importante debate sob o tema Liberdade de Expressão e Judiciário. É iniciativa bem-vinda para aparar arestas, devolver ao país a plena acepção do direito amplo e irrestrito à informação e restabelecer, em definitivo, o princípio constitucional segundo o qual a liberdade de expressão prescinde de regulamentação.

Observe o uso do acento grave indicativo da crase nos seguintes segmentos do texto:

I – “custaram sacrifícios à sociedade”

II – “direito à livre manifestação”

III – “agravos à liberdade de expressão”

IV –“direito amplo e irrestrito à informação”

Os casos em que o emprego do acento grave indicam a mesma função sintática são:

Alternativas

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Tema central: A questão aborda o uso do acento grave indicativo de crase, com foco na análise da função sintática de termos introduzidos pela crase nos diferentes segmentos do texto. O correto domínio da crase é fundamental para provas de Português em concursos, principalmente para o cargo de Arquivista, pois envolve precisão linguística e respeito à norma culta.

Comentário sobre a alternativa correta (D):
Nos segmentos II – “direito à livre manifestação”, III – “agravos à liberdade de expressão” e IV – “direito amplo e irrestrito à informação”, o uso da crase indica complemento nominal dos substantivos “direito” e “agravos”. Nesses casos, temos a fusão da preposição a (exigida pela regência dos substantivos) com o artigo feminino a (referente ao termo feminino subsequente), formando à com acento grave. Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) explicam que o complemento nominal é sempre termo preposicionado que complementa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio.

O emprego da crase ocorre porque:
• “direito à livre manifestação” = direito a (preposição) + a (artigo)
• “agravos à liberdade” = agravos a (preposição) + a (artigo)
• “direito ... à informação” = direito a (preposição) + a (artigo)

Já no segmento I – “custaram sacrifícios à sociedade”, a expressão “à sociedade” é objeto indireto do verbo "custar", não complemento nominal. Trata-se de complemento verbal, segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), e não de termo que complete o sentido de um substantivo.

Por que as demais alternativas estão erradas?

A), B), C) e E): Incluem o segmento I, que não compartilha a mesma função sintática dos segmentos II, III, IV, pois ali temos objeto indireto e não complemento nominal.

Estratégia para não errar: Sempre observe se a expressão introduzida pela crase está completando um verbo (objeto indireto) ou um substantivo (complemento nominal). Cuidado com a semelhança superficial! Leia atentamente o termo que rege a preposição.

Portanto, a resposta correta é a alternativa D) II-III-IV, pois estes segmentos apresentam a mesma função sintática de complemento nominal, conforme determina a gramática normativa e os manuais de redação oficial.

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Sobre o verbo custar

Custar

a - no sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela preposição “a”. 
Ex.: Custou ao aluno entender o problema.

b - no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição.
Ex.: O carro custou-me todas as economias.

c - no sentido de ter valor de, ter o preço: usa-se sem preposição.
Ex.: Imóveis custam caro.

Fonte: http://portugues.uol.com.br/gramatica/regencia-verbal-.html?fb_comment_id=10150781355436068_10152698887116068#f13e9fff48

Gabarito letra D.

I – “custaram sacrifícios à sociedade”  Objeto Indireto

II – “direito à livre manifestação” Adjunto Adnominal

III – “agravos à liberdade de expressão” Adjunto Adnominal

IV –“direito amplo e irrestrito à informação”  Adjunto Adnominal   Adjunto Adnominal     




A questão exige conhecimento de crase e de sintaxe e procuramos nas frases abaixo o termo destacado que receberam a crase por exercerem a mesma função sintática.

I – “custaram sacrifícios à sociedade

O verbo CUSTAR está regendo a preposição "a" para ser completado pelo objeto indireto (à sociedade). OBJETO INDIRETO.

II – “direito à livre manifestação

Temos um nome regendo a preposição "a" para ser completado pelo complemento nominal ( à manifestação) COMPLEMENTO NOMINAL

III – “agravos à liberdade de expressão

O nome AGRAVO está regendo a preposição "a" para ser completado pelo complemento nominal ( à liberdade de expressão).COMPLEMENTO NOMINAL.

IV –“direito amplo e irrestrito à informação

Temos o nome regendo a preposição "a" para ser completado pelo complemento nominal ( à informação). COMPLEMENTO NOMINAL.

Conforme vimos, a II, III e IV são complementos nominais e com isso a reposta é letra D.

LETRA D

O gabarito é letra D mas na verdade as 3 crases estão ligando COMPLEMENTOS NOMINAIS e não adjuntos adnominais

Vocês podem distinguir um do outro ao verificar se o termo linkado é agente ou paciente. (paciente = CN; agente = ADJ)

II – “direito à livre manifestação”

A livre manifestação é acessada pelo direito, então é paciente

O contrário seria dizer que a livre manifestação tem o direito, não faz sentido

COMPLEMENTO NOMINAL

III – “agravos à liberdade de expressão”

A liberdade de expressão sofre agravos, então é paciente

COMPLEMENTO NOMINAL

IV –“direito amplo e irrestrito à informação”

A informação é acessada pelo direito amplo e irrestrito, então é paciente

O contrário resultaria no mesmo caso da II, não faz sentido.

COMPLEMENTO NOMINAL

I – “custaram sacrifícios à sociedade”

Objeto Indireto

Vamos analisar cada caso:

  • I - “custaram sacrifícios à sociedade” - A crase indica a fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "custar") com o artigo "a" (que acompanha o substantivo feminino "sociedade"). A função sintática é objeto indireto.
  • II - “direito à livre manifestação” - A crase indica a fusão da preposição "a" (exigida pela expressão "direito a") com o artigo "a" (que acompanha o substantivo feminino "livre manifestação"). A função sintática é complemento nominal de "direito".
  • III - “agravos à liberdade de expressão” - A crase indica a fusão da preposição "a" (exigida pelo substantivo "agravos") com o artigo "a" (que acompanha o substantivo feminino "liberdade de expressão"). A função sintática é complemento nominal de "agravos".
  • IV - “direito amplo e irrestrito à informação” - A crase indica a fusão da preposição "a" (exigida pela expressão "direito a") com o artigo "a" (que acompanha o substantivo feminino "informação"). A função sintática é complemento nominal de "direito".

Portanto, os casos II, III e IV apresentam a mesma função sintática: complemento nominal.

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