Sobre a história natural da doença, leia abaixo o excerto ex...
A doença era sinal de desobediência ao mandamento divino. A enfermidade proclamava o pecado, quase sempre em forma visível, como no caso da lepra. Trata-se de doença contagiosa, que sugere, portanto, contato entre corpos humanos, contato que pode ter evidentes conotações pecaminosas. O Levítico detém-se longamente na maneira de diagnosticar a lepra; mas não faz uma abordagem similar para o tratamento. Em primeiro lugar, porque tal tratamento não estava disponível; em segundo, porque a lepra podia ser doença, mas era também, e sobretudo, um pecado. O doente era isolado até a cura, um procedimento que o cristianismo manterá e ampliará: o leproso era considerado morto e rezada a missa de corpo presente, após o que ele era proibido de ter contato com outras pessoas ou enviado para um leprosário. Esse tipo de estabelecimento era muito comum na Idade Média, em parte porque o rótulo de lepra era frequente, sem dúvida abrangendo numerosas outras doenças.
Moacyr Scliar
Assinale a alternativa que se refere ao paradigma identificado no texto.
Gabarito comentado
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Gabarito: E
Fundamento decisivo: O trecho decisivo é a associação direta entre doença e pecado, como em “A doença era sinal de desobediência ao mandamento divino” e “a lepra podia ser doença, mas era também, e sobretudo, um pecado”. Essa formulação indica o paradigma mágico-religioso, que leva ao gabarito E.
- Em questões de paradigma, identifique primeiro qual é a causa explicitamente atribuída no texto, e não medidas como isolamento ou tratamento.
- Se o trecho vincula doença a pecado, castigo, mandamento divino ou sanção moral, o eixo é mágico-religioso.
- Menção acessória a contágio não basta para classificar como teoria contagiosa quando o núcleo explicativo é religioso-moral.
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