De acordo com o texto, é correto afirmar que

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Q834505 Português

                                     Soberania


      Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio da imaginação.

      Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das ideias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber.

      Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo — o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas.

      E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bem-te-vi.

Manoel de Barros. Texto extraído do livro (caixinha) Memórias InventadasA Terceira Infância, Editora Planeta – São Paulo, 2008. 

De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas

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Análise da Questão:

Esta questão é de interpretação de texto, focando em identificar a mensagem central ou conclusão do texto de Manoel de Barros. O enunciado pede para determinar o que é correto segundo o texto apresentado.

Estratégia para Responder:

Ao tratar de interpretação de texto, é crucial prestar atenção aos detalhes que o autor menciona, especialmente aqueles que descrevem mudanças de percepção, conclusões ou aprendizados do narrador. Neste caso, precisamos identificar a essência do que o narrador aprendeu ou concluiu ao longo do texto.

Explicação da Alternativa Correta:

A alternativa D afirma que "uma das coisas que o narrador fez foi trazer um pouco de candura às coisas eruditas". Esta alternativa está correta porque, no texto, o narrador menciona que, após estudar eruditos, decidiu "botar um pouco de inocência na erudição". Essa mudança de perspectiva indica uma integração de simplicidade e profundidade, o que justifica a escolha desta alternativa como correta.

Análise das Alternativas Incorretas:

  • A - "o narrador constrói seus devaneios de acordo com histórias que retira de livros de literatura." - Esta alternativa é incorreta, pois o texto menciona que o narrador inicialmente teve um "vareio da imaginação" independente de livros de literatura. Seu aprendizado com livros veio depois e não foi para criar devaneios, mas sim para expandir seu conhecimento.
  • B - "os pais do narrador o repreendiam por fazer analogias esdrúxulas às coisas cotidianas." - Incorreta, já que a única reação direta dos pais descrita foi a preocupação do pai com os estudos e não com a natureza das analogias feitas pelo narrador.
  • C - "o narrador concluiu que os eruditos esqueciam-se das coisas mais singelas." - Embora em parte correto, o texto vai além ao descrever o que o narrador fez com essa conclusão, ou seja, aplicou sua nova visão para dar "candura" à erudição, como destacado na alternativa D.
  • E - "o ser humano não possui literalmente leveza, motivo pelo qual não poderia ser um bem-te-vi." - Esta alternativa interpreta erroneamente a metáfora utilizada pelo narrador, que reflete sobre a leveza e simplicidade, mas não conclui literalmente sobre a condição humana em relação ao bem-te-vi.

Conclusão: Para resolver questões de interpretação com confiança, é importante distinguir entre o que foi explicitamente afirmado e o que é uma inferência do texto. Sempre procure pistas textuais que sustentem uma conclusão, assim como fizemos aqui com a alternativa D.

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Comentários

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c) o narrador concluiu que os eruditos esqueciam-se das coisas mais singelas.. ERRADO

"...Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. (MAS) Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo — o Alberto Einstein)..." ==> Ele mudou de opinião quando conheceu Einstein.

 

 d) uma das coisas que o narrador fez foi trazer um pouco de candura (= INOCÊNCIA) às coisas eruditas. CERTO

"...Botei um pouco de inocência na erudição..."

a) o narrador constrói seus devaneios de acordo com histórias que retira de livros de literatura.

Errada: Os devaneios vêm das suas histórias -1§;

 

b) os pais do narrador o repreendiam por fazer analogias esdrúxulas às coisas cotidianas.

Errado: “A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada”. 1§;

 

c) o narrador concluiu que os eruditos esqueciam-se das coisas mais singelas.

Errado: Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Não esqueciam sempre, mas somente nas altas abstrações

 

 

d) uma das coisas que o narrador fez foi trazer um pouco de candura às coisas eruditas.

CERTO: Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo.

 

e) o ser humano não possui literalmente leveza, motivo pelo qual não poderia ser um bem-te-vi.

Errado: E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bem-te-vi.

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