Dado o excerto: “O cobrador seguiu adiante, mas antes de sa...

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Q3913493 Português

Texto para a questão:



Saber o destino

(Ramires Linhares)



    Um dia, Albert Einstein estava viajando de trem após sair da Universidade de Princeton, e o cobrador entrou no vagão para conferir as passagens. O jovem reconheceu imediatamente o famoso cientista, que começou a procurar o bilhete nos bolsos do paletó, da calça, na pequena mala, mas não encontrava.

    Percebendo a situação, o cobrador disse com tranquilidade:

    - Dr. Einstein, sei quem o senhor é. Todos aqui sabem. Tenho certeza de que o senhor comprou a passagem. Não se preocupe.

    Einstein agradeceu com um sorriso. O cobrador seguiu adiante, mas antes de sair do vagão, olhou para trás e viu Einstein ajoelhado, procurando o bilhete debaixo do assento.

Intrigado, voltou e insistiu:

    - Como eu disse, não há problema algum. Sabemos quem o senhor é, fique tranquilo.

    Foi então que Einstein respondeu, com toda a sua genial simplicidade:

    - Meu jovem, eu também sei quem eu sou. O que eu não sei é para onde estou indo. Por isso preciso encontrar o meu bilhete.

    Não há comprovação de que tal história tenha realmente acontecido, no entanto há uma importante mensagem nela contida: identidade não substitui direção.

    Saber quem você é, seu nome, sua história, suas conquistas, nada disso garante que você vá ao lugar certo. Reconhecimento, inteligência, status ou talento não dizem nada sobre o rumo da sua vida se você não tiver clareza de propósito.

    Assim a historinha da viagem de Einstein ensina que não basta ser alguém importante; é preciso saber para onde se vai. Que a confiança dos outros em você não elimina a necessidade de autoconhecimento e escolha consciente. E que até os mais brilhantes precisam parar, se ajoelhar e conferir o próprio “bilhete”, que pode ser entendido como os seus valores, metas e decisões.

    Acho que, neste contexto, o verdadeiro risco não era nem o homem ter perdido o bilhete, era ter seguido uma viagem sem saber o destino.



Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/saber-o-destino-38537

Dado o excerto:


“O cobrador seguiu adiante, mas antes de sair do vagão (...).”


O termo em destaque pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por: 

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “O cobrador seguiu adiante, mas antes de sair do vagão, olhou para trás e viu Einstein ajoelhado, procurando o bilhete debaixo do assento.”, “mas” estabelece relação adversativa entre o prosseguimento da ação e a sua posterior interrupção/reorientação; por isso, a substituição correta deve preservar esse valor de contraste, e a única alternativa compatível é “Entretanto”.

Tema central: valor adversativo do conectivo
Análise das alternativas
A
Errada
“Outrossim” exprime acréscimo, com sentido de “além disso”. Isso não corresponde ao que o trecho faz, porque “mas” não adiciona uma nova informação do mesmo plano; ele marca contraste entre seguir adiante e interromper essa continuidade.
B
Certa
A alternativa B está correta porque “Entretanto” mantém a mesma relação lógico-semântica de “mas” no contexto: o cobrador havia seguido adiante, porém esse movimento é quebrado quando ele olha para trás, vê Einstein ainda procurando o bilhete e depois retorna. O próprio encadeamento narrativo confirma essa oposição em “Intrigado, voltou e insistiu:”.
C
Errada
“Deveras” não tem valor adversativo. É advérbio de intensidade/afirmação, portanto não exerce a função coesiva de oposição exigida pelo período. A troca alteraria a relação de sentido do trecho.
D
Errada
“Portanto” expressa conclusão ou consequência. No trecho, não há fecho conclusivo derivado da ação anterior; há contraste narrativo entre o fato de o cobrador seguir e, em seguida, redirecionar sua ação. Por isso, o valor semântico é incompatível.
E
Errada
Está errada porque há, sim, uma alternativa anterior que preserva o sentido original: “Entretanto”. Logo, não cabe afirmar que nenhuma das anteriores serve.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre conectivos que apenas ligam partes do texto e conectivos que preservam exatamente a relação semântica do original. Aqui, não basta haver ligação entre segmentos; era necessário manter a oposição marcada por “mas”.
Dica para questões semelhantes
  • Em substituição de conectivo, verifique primeiro a relação de sentido original: oposição, soma, conclusão, causa ou consequência.
  • Confirme o valor do conectivo pelo encadeamento do texto, e não pela palavra isolada.
  • Não escolha por formalidade ou por parecer sinônimo amplo; a troca só vale se mantiver a mesma função semântica no contexto.

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