O escritor, cujas obras haviam sido aclamadas pela
crítica e pelo público, sentia-se, paradoxalmente, cada
vez mais oco. As palavras, que outrora lhe fluíam com a
naturalidade de um rio em despenhadeiro, agora
resistiam em brotar. Era como se a linguagem o tivesse
traído, abandonando-o justamente quando mais
precisava dela. O que o angustiava, porém, não era a
possibilidade de nunca mais escrever, mas a terrível
suspeita de que tudo o que produzira fora, no fundo, uma
longa e elaborada mentira. E se ele não passasse de um
impostor? E se a verdade que buscara revelar estivesse,
na verdade, oculta sob camadas tão densas de artifício
que nem mesmo ele próprio conseguia mais distinguir
onde terminava a sinceridade e começava a farsa?
ROTH, Philip. A marca humana. Tradução de Paulo Henriques Britto. 1.
ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 94
Considerando a estrutura sintática do período "As
palavras, que outrora lhe fluíam com a naturalidade de
um rio em despenhadeiro, agora resistiam em brotar", é
correto afirmar que: