Prematuro extremo com 26 semanas de idade gestacional de nas...

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Ano: 2023 Banca: IBFC Órgão: EBSERH Prova: IBFC - 2023 - EBSERH - Médico - Neonatologia |
Q2637597 Medicina

Prematuro extremo com 26 semanas de idade gestacional de nascimento e com 72 horas de vida está intubado em ventilação mecânica em UTI neonatal de referência. A ventilação mecânica está sendo realizada em modo assistido-controlado a pressão com volume garantido, com volume alvo de 5 ml/kg, PEEP de 6 cmH20, frequência respiratória de 40 irpm, tempo inspiratório de 0,35 s, fração inspirada de oxigênio de 30% e atingindo pressão de pico inspiratório em torno de 21 cmH20. Gasometria arterial mostra pH 7,30, pCO2 50 mmHg, pO2 55 mmHg, HCO3 22 mEq/L, BE - 4 e lactato de 1,8 mmol/L. Sobre o manejo ventilatório desse paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

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Tema central: O foco da questão é o manejo ventilatório de prematuros extremos, especialmente no contexto da hipercapnia permissiva. Essa é uma das principais estratégias de ventilação protetora, cuidadosamente usada na Neonatologia moderna para minimizar lesão pulmonar.

Justificativa da alternativa correta (D): Pela gasometria, observa-se pH 7,30 (levemente acidótico, mas aceitável), pCO₂ 50 mmHg (moderada hipercapnia), sem repercussões metabólicas relevantes (HCO₃ normal, lactato normal). Segundo o "Guia para os Profissionais de Saúde" do Ministério da Saúde, Capítulo 22:

"A demora na correção da hipocapnia ou hiperóxia pode ser mais lesiva que a persistência de hipoxemia ou hipercapnia moderadas."

Ou seja, a literatura orienta aceitar certa hipercapnia (desde que o pH > 7,20), em prol de evitar barotrauma e volutrauma, reduzindo risco de displasia broncopulmonar. Por isso, manter os parâmetros ventilatórios atuais é a conduta adequada, adotando a chamada "hipercapnia permissiva".

Análise crítica das alternativas incorretas:

  • A) Aumentar volume-alvo para 6 ml/kg aumenta risco de lesão pulmonar (volutrauma), não sendo recomendado para prematuros.
  • B) Aumentar frequência respiratória pode causar hipocapnia, associada a maior risco de leucomalácia periventricular e hemorragia intracraniana.
  • C) Trocar modo ventilatório para SIMV sem VG não garante proteção pulmonar adequada, pois pode levar a volumes variáveis e lesão pulmonar. O modo assistido-controlado com volume garantido segue a melhor evidência.
  • E) O paciente NÃO tem alcalose, mas sim acidose respiratória leve; logo, a justificativa está incorreta.

Pegadinhas e estratégias: Atenção aos detalhes do quadro clínico (prematuro extremo, modos ventilatórios, valores gasométricos)! Muitas provas usam termos como “corrigir hipercapnia imediatamente” ou sugerem mudanças inadequadas em volume/frequência, mas para prematuros a prioridade é proteção pulmonar gentil.

Protocolos: UpToDate e Sociedade Brasileira de Pediatria reforçam: manter hipercapnia permissiva se pH>7,20 e paciente estável.

Resumo final: Em prematuros extremos, a hipercapnia permissiva é uma estratégia valiosa: aceita-se moderada elevação de pCO₂, priorizando a prevenção de lesão pulmonar ao invés de normalizar rapidamente a gasometria.

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