“Contextualizando-se este momento histórico, no qual a cult...
(SIQUEIRA BATISTA, Rodrigo. Mito, filosofia e medicina na Grécia antiga. Relações entre a poesia épica, a filosofia pré-socrática e a medicina de Hipócrates. Dissertação (mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Filosofia. p. 55).
Sobre a expressão “mito já decantado” no contexto do trecho citado, assinale a alternativa incorreta.
Gabarito comentado
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Alternativa correta: A
Tema central da questão:
A questão versa sobre a relação entre mito e filosofia na Grécia Antiga, especialmente sobre a transição histórica entre essas formas de pensamento. O texto sugere que não houve uma ruptura abrupta (sem solução de continuidade) entre mito e filosofia, mas sim um processo onde elementos míticos foram sendo transformados ou decantados, servindo de base para o surgimento da filosofia. Entender essa passagem é fundamental para todos os editais de filosofia e está presente em autores como Jean-Pierre Vernant e Giovanni Reale.
Resumo teórico:
Na Grécia Antiga, o conhecimento era principalmente transmitido por meio de mitos, narrativas simbólicas usadas para explicar o mundo. A filosofia surge quando se começa a buscar explicações racionais para a realidade, mas isso não significa que a filosofia nasceu isolada dos mitos. Há uma continuidade histórica, com elementos do pensamento mítico influenciando os primeiros filósofos (pré-socráticos).
Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A afirma que o tempo histórico separou mito e filosofia sem solução de continuidade. Isso é incorreto, pois ignora o processo de transição gradual e a influência mútua entre ambas as formas de pensamento. A historiografia filosófica moderna enfatiza que a filosofia grega é herdeira de temas, estruturas e até perguntas do mito (cf. Vernant, "Mito e Pensamento entre os Gregos"). Portanto, a separação abrupta é uma ideia equivocada.
Análise das alternativas incorretas:
B: Reconhece a existência de uma ambiguidade e ressalta que há uma continuidade histórica entre mito e filosofia, o que está de acordo com a abordagem mais aceita.
C: Aborda a tese do “milagre grego”, mas destaca que para sustentar uma ruptura absoluta (milagre), seria necessário um fator externo, o que reforça a ideia de continuidade.
D: Mostra que o “mito decantado” é uma base histórica para a paidéia e ressalta que não se pode atribuir a decantação a uma necessidade histórica, mantendo a ambiguidade entre ruptura e continuidade.
Estratégias de interpretação:
Procure termos como "sem solução de continuidade": indicam ruptura total, o que raramente é aceito em História da Filosofia. Atenção também a expressões que envolvem ambiguidade ou continuidade, pois refletem melhor a transição entre mito e filosofia.
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