A anestesiologia odontológica é uma disciplina fundamental ...
A anestesiologia odontológica é uma disciplina fundamental na prática clínica, visando proporcionar conforto ao paciente durante procedimentos odontológicos. A escolha e administração adequadas de anestésicos locais são essenciais para garantir a eficácia do bloqueio anestésico, minimizando desconforto e ansiedade nos pacientes durante os procedimentos odontológicos.
Qual é o principal mecanismo de ação dos anestésicos locais utilizados na anestesiologia odontológica?
Gabarito comentado
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Gabarito: C — Bloqueio dos canais de sódio nas membranas neurais.
Tema central: mecanismos de ação dos anestésicos locais em Odontologia. Essas drogas (ex.: lidocaína, articaína, mepivacaína) atuam no nervo periférico para impedir a condução do impulso doloroso durante procedimentos.
Por que a alternativa C é correta? Os anestésicos locais difundem-se na fibra nervosa na forma não ionizada, e a forma ionizada liga-se à face interna dos canais de sódio voltagem-dependentes (Nav), bloqueando-os de maneira uso-dependente. Com o Nav bloqueado, não ocorre a fase 0 de despolarização, impedindo a geração e a condução do potencial de ação. Clinicamente, isso produz anestesia na região inervada. Fibras menores e mielinizadas (dor) são bloqueadas antes das maiores (toque/pressão). Referências: Malamed – Handbook of Local Anesthesia; Goodman & Gilman; UpToDate.
Estrategia para a prova: sempre associe anestésico local a bloqueio de Nav na periferia. Evite confundir com mecanismos centrais (cérebro) ou hormonais (endorfinas), que não explicam a ação local imediata.
Análise das alternativas incorretas:
A) Estimulação dos nervos periféricos. Ao contrário: o objetivo é inibir a condução nervosa. Estimular aumentaria a dor. Conceitualmente incompatível com anestesia.
B) Inibição dos receptores de dor no cérebro. Anestésicos locais não atuam primariamente no SNC; sua ação é periférica, na membrana do axônio. Inibição central seria esperada com analgésicos sistêmicos opioides ou sedativos, não com anestesia infiltrativa/bloqueio local.
D) Aumento da produção de endorfinas. Endorfinas são moduladores endógenos centrais; anestésicos locais não aumentam sua liberação. Além disso, endorfinas não promovem bloqueio de condução nervosa periférica.
Pérolas clínicas úteis:
- pH tecidual: inflamação/infecção acidificam o meio, reduzindo a fração não ionizada e a eficácia do anestésico; considere técnicas de bloqueio e ajuste de dose.
- Vasoconstritor (ex.: epinefrina) não é o mecanismo de anestesia; apenas prolonga duração e reduz sangramento.
- Segurança: dose máxima e contraindicações devem seguir guias (Malamed; diretrizes da ADA/UpToDate) para evitar toxicidade sistêmica por anestésico local.
Referências essenciais: Malamed SF. Handbook of Local Anesthesia; Goodman & Gilman’s The Pharmacological Basis of Therapeutics; UpToDate – Local anesthetics: mechanism of action and clinical use.
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