Mulher, 28 anos, com histórico de câncer de mama triplo-neg...

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Q4069880 Medicina
Mulher, 28 anos, com histórico de câncer de mama triplo-negativo (BRCA-1 germinativo mutado) foi submetida a tratamento neoadjuvante com base no esquema KEYNOTE-522, obtendo resposta patológica completa. Atualmente, encontra-se em terapia adjuvante com pembrolizumabe isolado. Procura atendimento devido à diarreia aquosa, 6 episódios por dia, iniciada há 10 dias, sem melhora ao uso de loperamida (8 mg/dia). Nega febre, hematoquezia ou dor abdominal significativa. A investigação inicial para patógenos entéricos foi negativa. Considerando o caso clínico exposto, qual é a melhora conduta nesse momento?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso sugere diarreia/colite imunomediada grau 2 por pembrolizumabe: 6 evacuações aquosas por dia há 10 dias, falha de loperamida e investigação infecciosa inicial negativa. Nessa situação, a diretriz ASCO recomenda suspender temporariamente o anti-PD-1 e iniciar prednisona oral 1 mg/kg/dia; por isso, a alternativa B é a correta.

Tema central: Diarreia/colite por pembrolizumabe
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque trata como quadro leve uma toxicidade já compatível com grau 2. Manter o pembrolizumabe e apenas intensificar loperamida contraria o manejo recomendado para diarreia imunomediada moderada e persistente, sobretudo após falha do tratamento sintomático e com investigação infecciosa inicial negativa.
B
Certa
A alternativa B corresponde à conduta inicial padronizada para diarreia/colite imunomediada grau 2 associada a pembrolizumabe. O enunciado traz quadro persistente, com 6 episódios/dia, sem resposta a antidiarreico e com investigação infecciosa inicial negativa, o que sustenta toxicidade gastrointestinal imunerrelacionada sem sinais de colite fulminante. Nesse cenário, a referência decisiva da questão é a diretriz ASCO, que orienta segurar temporariamente o imunoterápico e iniciar corticoide sistêmico oral, tipicamente prednisona 1 mg/kg/dia.
C
Errada
Está errada porque transforma a colonoscopia em pré-requisito para iniciar imunossupressão. Pela base, colonoscopia com biópsias é útil e frequentemente recomendada em grau >=2, mas sua função é estratificar e ajudar no diferencial; não deve atrasar o início do corticoide quando a suspeita clínica de toxicidade imune já é forte e a infecção inicial foi afastada.
D
Errada
Está errada porque antecipa infliximabe sem cumprir o critério de escalonamento. Na colite/diarreia por checkpoint, infliximabe é reservado para refratariedade ao corticoide, dependência de corticoide ou maior gravidade clínica/endoscópica. Falha de loperamida não equivale a refratariedade terapêutica que justifique anti-TNF como primeira medida.
E
Errada
Está errada porque não há base clínica para antibioticoterapia empírica nem para manter o pembrolizumabe. O quadro é típico de evento adverso imunerrelacionado por anti-PD-1, sem febre, sem sangramento, sem dor abdominal importante e com investigação inicial para patógenos entéricos negativa; isso afasta a lógica de enterocolite infecciosa invasiva como explicação principal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre falha de antidiarreico e necessidade de escalonar direto para infliximabe, além da tendência de manter tratamento apenas sintomático ou de adiar corticoide esperando colonoscopia, quando o quadro já se enquadra como toxicidade imunomediada grau 2.
Dica para questões semelhantes
  • Em uso de anti-PD-1/PD-L1, diarreia com 4 a 6 evacuações por dia acima do basal sugere grau 2 e muda a conduta para suspensão temporária da imunoterapia e corticoide sistêmico.
  • Falha de loperamida em quadro persistente não autoriza manter apenas suporte; ela reforça que o manejo sintomático isolado é insuficiente.
  • Endoscopia em diarreia/colite grau >=2 pode ser recomendada, mas não deve atrasar o início do corticoide quando a suspeita clínica é alta e a infecção inicial foi afastada.
  • Infliximabe entra como resgate para refratariedade ao corticoide ou maior gravidade, não como primeira escolha após falha de antidiarreico.

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