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Q4069877 Medicina
Homem, 84 anos, com diagnóstico de sarcoma de alto grau de membro inferior direito metastático para pulmões, fígado e extensa massa retroperitoneal, comparece para atendimento em setor de urgência e emergência devido à piora relativa da dispneia em repouso nos últimos dois dias. Paciente afirma uso contínuo de morfina de liberação prolongada (30 mg de 12/12 horas) para dor oncológica, além de loperamida e metoclopramida para manejo de diarreia e náuseas recorrentes. Exames recentes mostram plaquetas de 27.000/mm³, sem histórico de sangramento. Ao exame físico, encontra-se consciente, orientado, com saturação periférica de O2 de 94% em ar ambiente, porém refere sensação de “falta de ar” limitante. Com base no caso exposto e no manejo sintomático de pacientes em cuidados paliativos, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em paciente com câncer avançado, dispneia subjetivamente limitante, saturação de 94% em ar ambiente e uso prévio regular de morfina, a conduta farmacológica de primeira linha para alívio sintomático é otimizar o opioide, com titulação da dose basal e prescrição de resgate de ação rápida.

Tema central: Dispneia em cuidados paliativos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque aplica a medida central para dispneia oncológica refratária em cuidados paliativos. A queixa é clinicamente relevante pela percepção do paciente, mesmo sem hipoxemia importante, e o fato de ele já usar morfina não contraindica a estratégia; ao contrário, indica necessidade de ajuste proporcional da dose e oferta de resgate. O fundamento médico específico é que opioides sistêmicos reduzem a percepção central da dispneia e constituem a principal terapêutica farmacológica nesse cenário.
B
Errada
Está errada porque benzodiazepínico não é a primeira linha para dispneia oncológica isolada. O enunciado não demonstra que a causa principal da falta de ar seja ansiedade, e a base veda essa inferência. Lorazepam pode ter papel adjuvante em situações selecionadas, mas não substitui a conduta central, que é otimizar o opioide.
C
Errada
Está errada porque budesonida oral não tem papel no tratamento da dispneia deste caso. A questão pede a melhor conduta para falta de ar em paciente paliativo, e a referência à diarreia não fornece mecanismo que justifique budesonida como intervenção dirigida ao sintoma principal. O erro é desviar da queixa-alvo para uma medida sem relação terapêutica estabelecida com a dispneia apresentada.
D
Errada
Está errada porque transfusão profilática de plaquetas não é indicada apenas por contagem abaixo de 50.000/mm³ em paciente sem sangramento. O limiar proposto está inadequado para profilaxia universal em contexto estável, e além disso essa conduta não trata a dispneia, que é o problema clínico a ser manejado na questão.
E
Errada
Está errada porque, embora a olanzapina possa ser útil para náusea em cuidados paliativos, seu efeito sedativo não a torna tratamento de escolha para dispneia. Trocar metoclopramida por olanzapina não enfrenta o mecanismo principal do sintoma respiratório. Sedação inespecífica não substitui o papel central do opioide no alívio da dispneia.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que SpO2 de 94% exclui necessidade de tratamento sintomático e supor que, por o paciente já usar morfina, o opioide não seja mais a melhor ferramenta para a dispneia.
Dica para questões semelhantes
  • Na dispneia em cuidados paliativos, valorize a intensidade referida pelo paciente; oximetria relativamente preservada não exclui sofrimento respiratório relevante.
  • Se o paciente com câncer avançado já usa morfina e continua dispneico, pense em titulação do opioide e dose de resgate, não em abandonar essa classe.
  • Benzodiazepínico pode ser adjuvante quando ansiedade coexistir, mas não deve substituir o opioide como primeira linha para dispneia isolada.
  • Não deixe achados chamativos, como plaquetopenia sem sangramento, desviarem a decisão quando eles não explicam nem tratam o sintoma principal.

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