Ao tratar do ceticismo, o autor enfatiza a sua suposta “clar...

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Q1719110 Português
O texto a seguir foi extraído do livro O pároco de aldeia, de Alexandre Herculano. Leia-o atentamente para responder as próximas questões.

“Como a filosofia é triste e árida! Como a florinha do campo, a alma por onde passou a procela da filosofia, esse turbilhão transitório de doutrinas, de sistemas, de opiniões, de argumentos, pende desanimada e tristonha; e na claridade baça do ceticismo, que torna pesada e fria a atmosfera da inteligência, não pode aquecer-se aos raios esplêndidos do sol de uma crença viva. Com Kant, o universo é uma dúvida: com Locke, é dúvida o nosso espírito: e num destes abismos vêm precipitar-se todas as antologias. Como a filosofia é triste e árida! A árvore da ciência, transplantada do Éden, trouxe consigo a dor, a condenação e a morte; mas a sua pior peçonha guardou-se para o presente: foi o ceticismo. Feliz a inteligência vulgar e rude, que segue os caminhos da vida com os olhos fitos na luz e na esperança postas pela religião além da morte, sem que um momento vacile, sem que um momento a luz se apague ou a esperança se desvaneça! Feliz a alma vulgar e rude que crê e nem sequer sabe que a dúvida existe no mundo! Para ela, as noites não têm os pesadelos monstruosos, nem os dias a meditações febris em que o cético involuntário se debate na orla do possível, que toca por um lado nas solidões do nada, por outro na imensidade de Deus. Mas ainda mais feliz a inteligência superior às do vulgo, aquela que a Providência destinou à missão do poeta, nos anos da infância e da juventude, antes que o bafo árido da ciência a queimasse, passando por cima dela!”
(Trecho com adaptações).
Ao tratar do ceticismo, o autor enfatiza a sua suposta “claridade baça”. Em relação a essa expressão, de acordo com esse contexto, pode-se dizer que apresenta um sentido:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto – Figuras de Linguagem (Paradoxo).

A banca pede que você reconheça o efeito de sentido na expressão “claridade baça”. É fundamental identificar qual figura de linguagem está presente e relacionar o contexto do texto à alternativa correta.

Regra/conceito central: Pela norma-padrão e pelas gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra), paradoxo é a figura que reúne2 ideias aparentemente contraditórias, mas que, ao serem analisadas, podem transmitir uma verdade ou sensação mais profunda. Veja o exemplo do próprio Bechara: “O silêncio mais eloquente”.

Na expressão “claridade baça”, temos união de elementos opostos: “claridade” (luz, brilho) e “baça” (opaca, sem brilho). A junção revela contradição aparente, intensificando o sentido ambíguo ou problemático do ceticismo no texto: um estado que parece iluminar, mas só consegue gerar “luz opaca”.

Alternativa correta: A) paradoxal.
Justificativa: identifica com precisão a figura de linguagem do trecho. O paradoxo evidencia, no contexto, a sensação de dúvida trazida pela filosofia cética, que não consegue iluminar a mente (não oferece verdadeira “luz”).

Análise das incorretas:

B) harmônico: Incorreta. Harmonia pressupõe combinação de elementos compatíveis, enquanto “claridade baça” é contraditória.

C) pleonástico: Incorreta. Pleonasmo é redundância, como “subir para cima”. Aqui, ocorre o oposto: há choque de sentidos, não repetição.

D) onomatopaico: Incorreta. Onomatopeia é imitação de sons, como “tic-tac” ou “bum!”. Nada disso está na expressão analisada.

Estratégia para provas: Ao deparar-se com expressões paradoxais, busque contradições aparentes ou combinações improváveis de atributos. Lembre-se: a banca frequentemente usa expressões poéticas para abordar esse conteúdo.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, tópicos sobre figuras de linguagem.

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Comentários

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O paradoxo é uma figura de linguagem ou figura de pensamento. É chamado também de oximoro e consiste na expressão de uma ideia contrastante, isto é, em que há oposição, além de conter em si uma contradição, uma incoerência, por apresentar elementos que se contradizem. Portanto, não basta haver oposição na ideia expressa, os elementos contrastantes precisam também ser contraditórios.

na claridade baça do ceticismo

Baça é o feminino de baço. O mesmo que: morena, sombria, escura, embaciada, embaçada, enevoada, trigueira.

Paradoxal ou Oximoro - trata-se de antitese levada ao extremo, fazendo coexistir duas ideias contrarias, ao mesmo tempo, implicando falta de logica..

como pode claridade e escura ao mesmo tempo nao tem sentindo, isso...

gabarito A

Tive que pesquisar a palavra antes de responder baça primeira vez que vejo essa palavra

claridade baça. Paradoxo: oposição de ideias

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