Mulher, 24 anos, apresenta queixas de fortes dores em regiã...

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Q3986709 Biomedicina - Análises Clínicas
Mulher, 24 anos, apresenta queixas de fortes dores em região lombar e em virilha, náuseas, dor ao urinar, odor forte e hematúria. Devido aos sintomas, o médico solicitou exames bioquímicos e parcial de urina. Na avaliação da fita reagente, observou-se: presença de leucócitos e hemácias, traços de proteína, pH 5,5, densidade 1,030. Na avaliação microscópica, o analista de laboratório relatou grande quantidade de cristais hexagonais incolores e birrefringentes. A partir desses resultados, qual suspeita laboratorial deve ser comunicada ao médico?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O dado decisivo é a microscopia urinária com grande quantidade de cristais hexagonais incolores e birrefringentes, achado clássico de cistina em urina ácida (pH 5,5). Isso sustenta suspeita laboratorial de cistinúria e define a alternativa correta.

Tema central: Cristais hexagonais de cistina
Análise das alternativas
A
Errada
Diabetes insipidus é incompatível com os dados do caso. Esse distúrbio cursa tipicamente com incapacidade de concentrar a urina, poliúria e densidade urinária baixa, enquanto o enunciado mostra densidade 1,030. Além disso, não há relação entre diabetes insipidus e cristais hexagonais de cistina.
B
Errada
Nefrolitíase por oxalato de cálcio pode causar cólica renal e hematúria, mas a exclusão aqui é morfológica: cristais de oxalato de cálcio costumam ser em envelope/bipiramidais ou em halteres, não hexagonais. A microscopia do sedimento aponta para cistina, não para oxalato de cálcio.
C
Errada
Infecção urinária por Proteus mirabilis não se sustenta como suspeita principal porque esse agente, por atividade ureásica, tende a alcalinizar a urina, ao contrário do pH 5,5 descrito. Além disso, Proteus se associa a cristais de estruvita/triplo fosfato, não a cristais hexagonais de cistina. Leucocitúria, disúria e odor forte não superam o valor diagnóstico da microscopia.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o achado microscópico descrito é altamente específico para cistina. Na cistinúria, há aumento da excreção urinária de cistina por defeito hereditário de transporte tubular renal de aminoácidos dibásicos; como a cistina tem baixa solubilidade, especialmente em urina ácida, ocorre cristalúria e nefrolitíase. Isso explica, no caso, os cristais hexagonais, a dor lombar irradiada para virilha e a hematúria. Leucócitos, traços de proteína e hemácias na fita não definem a etiologia e podem acompanhar irritação/inflamação secundária ao cálculo.
E
Errada
Acidose tubular renal não explica o sedimento observado. A questão fornece um achado cristalográfico específico de cistina, enquanto a acidose tubular renal, especialmente a distal, costuma se associar a outro contexto metabólico e pode predispor a litíase por fosfato de cálcio, não a cristais hexagonais de cistina. Não há base no caso para substituir esse achado específico por distúrbio tubular acidobásico.
Pegadinha da questão
A banca mistura sinais que podem sugerir infecção urinária ou litíase inespecífica, mas o dado realmente decisivo é a morfologia do cristal urinário; quem ignora o hexágono e valoriza só leucocitúria, odor forte ou a clínica de cólica tende a errar.
Dica para questões semelhantes
  • Em urinálise, quando a microscopia traz formato cristalino típico, esse achado tem mais peso diagnóstico que alterações inespecíficas da fita reagente.
  • Hexágono incolor no sedimento urinário aponta para cistina e deve fazer suspeitar de cistinúria.
  • Para diferenciar etiologias de litíase, confronte a morfologia do cristal com o pH urinário: cistina em urina ácida; Proteus/estruvita em urina alcalina.
  • Não feche infecção bacteriana apenas por leucocitúria, disúria ou odor forte se o sedimento trouxer um achado específico incompatível.

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